A ausência de debate contraditório, a utilização de provas de outros processos inconclusivos, a valorização de testemunhos estereotipados, o desrespeito pelos direitos da defesa levaram a que os observadores concluíssem que este julgamento não oferece as garantias necessárias para ser qualificado como justo.
Dominique Noguères, na qualidade de vice-presidente da Liga Francesa de Direitos Humanos, e Alexandre Faro, como advogado do Tribunal de Apelação de Paris, receberam o mandato da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) e da Rede Euro mediterrânea de Direitos Humanos (EuroMed Rights) para serem observadores no julgamento. A sua missão foi levada a cabo em colaboração com a plataforma internacional Tiral Watch.
Os observadores da FIDH e EuroMed Rights constaram que faltou o elemento essencial do julgamento: o princípio do contraditório. As condições em que se realizaram as audiências para recolha de testemunhos também são postas em causa, com a repetição de declarações estereotipadas que levantam dúvidas sobre a espontaneidade e veracidade dos testemunhos.
Dominique Noguères e Alexandre Faro consideram ainda que a multiplicidade de procedimentos em distintas jurisdições e a sua centralização tardia e incompleta perante o Supremo Tribunal constituem uma violação do direito a um julgamento justo.
Entre outras irregularidades, os observadores assinalam ainda a presença, junto à acusação, de um partido político (VOX) que não foi vítima de nada e que tem posicionamentos opostos aos dos acusados.