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“Fato Macaco” um documentário que dá voz às vidas e lutas de bairros populares de Setúbal

Rui Paixão, o clown que foi estrela do Cirque du Soleil lançou-se no desafio de tornar as lutas e os moradores dos bairros dos Pescadores e Grito do Povo em protagonistas de um filme que terminou este semana as gravações.
"Fato Macaco". Imagem da Câmara Municipal de Setúbal.
"Fato Macaco". Imagem da Câmara Municipal de Setúbal.

Os bairros dos Pescadores e Grito do Povo, em Setúbal, são o tema do documentário “Fato Macaco” de Rui Paixão que terminou esta sexta-feira as gravações e que terá uma ante-estreia em setembro e depois será estreado no final de outubro no Cinema Charlot.

O clown que foi estrela do Cirque du Soleil lança-se agora nesta aventura que pretende dar voz aos moradores e às suas lutas em parceria com a produtora Dona Edite Filmes e depois de um convite de Renzo Barsotti, diretor artístico da Rota Clandestina, um projeto da Câmara Municipal local que pretende transformar a cidade num “laboratório teatral” com várias residências artísticas.

Rui Paixão foi convidado para uma delas e, nesse âmbito, surgiu-lhe a ideia de fazer um filme para ajudar a “compreender quem são as pessoas destes bairros e aspetos marcantes das suas vidas, com a ajuda de uma personagem ficcional que faz a ligação das diferentes histórias dos moradores, desde o trabalho na antiga indústria conserveira, aos movimentos anarco-sindicalistas e atos de resistência que marcaram as suas vidas e a comunidade”, declarou à Lusa.

O criador diz-se surpreendido e apaixonado por estes bairros e quer que o seu filme “seja um presente bonito e que consiga espalhar-se por todo o país”. Para ele, “faltam mais artistas de bairro, mais artistas que saiam das grandes cidades, que saiam dos seus egos de entregar produtos que acabam em três dias”.

Rui Paixão explica como o filme foi feito: “Sem guião, uma equipa de filmagens e uma personagem invadem os bairros para, em conjunto com a comunidade, gravarem um filme. Em conquista do inútil dando voz ao que importa, houve histórias partilhadas a “falar para o boneco” e “a equipa regressou a casa com um arrepio de um projeto honesto e belo cumprido”, escreveu nas suas redes sociais.

Nestes dois bairros vivem atualmente mais de 1.500 pessoas, grande parte ligadas à pesca e à indústria das conservas. Uma história que começou por um conjunto de barracas e que foi feita de lutas, contra a ditadura, por direitos sociais e laborais, e pela agitação criativa do pós-25 de abril. Momento decisivo foi o projeto SAAL, Serviço Ambulatório de Apoio Local, o programa de construção dirigido às populações desfavorecidas que ficou marcado pela participação popular fez com que as barracas dessem lugar às casas.

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