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Falta de vacinas provoca queda das doses diárias em Portugal

O número da vacinação diária contra a covid-19 em Portugal caiu quase para metade nas últimas semanas. Tudo indica que o problema tem origem na produção e entrega de vacinas.
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Foto Pexels.

A capacidade de vacinação diária em Portugal caiu para quase metade nas últimas duas semanas. Depois de na terceira semana de Janeiro a capacidade de administração de doses ter crescido a um ritmo superior à média da União Europeia (de 5.153 doses para 15.940 entre os dias 15 e 23 de Janeiro), nas duas semanas seguintes (última de Janeiro e primeira de Fevereiro) a vacinação diária (média de sete dias) baixou para os 8 mil. Portugal precisa de administrar 50 mil doses diárias para cumprir os objetivos do plano de vacinação apresentado, de 70% de cobertura até ao final do verão.

A quebra acentuada da capacidade diária que foi alcançada em Janeiro parece indicar que os problemas não estão relacionados com a logística do plano de vacinação, mas antes com a produção e entrega de vacinas.

O eurodeputado José Gusmão comentou o tema nas redes sociais:

 

A propriedade privada das patentes, na posse das grandes farmacêuticas, tem sido apontada como uma das causas para este estrangulamento da produção.

Os desafios logísticos do plano nacional de vacinação da população contra a Covid-19 foram também alvo de debate, em particular desde a substituição da coordenação da task-force, agora a cargo do vice-almirante Gouveia e Melo. O novo coordenador já assumiu que a escassez de vacinas levará ao adiamento da primeira fase do plano para o mês de Abril.

As autoridades de saúde portuguesas partiram para o processo com a confiança de bons indicadores comparativos entre os países europeus em campanhas de vacinação contra a gripe em anos anteriores. No entanto, as dificuldades agravaram-se nas últimas semanas e o plano de vacinação foi amplamente criticado, sobretudo pela divulgação de vários episódios de fraude e incumprimento dos critérios de vacinação.

Esta quarta-feira, na Assembleia da República, a Ministra da Saúde Marta Temido anunciou a instalação de novos centros de vacinação capazes de reforçar a capacidade atual. Estando dependentes das entregas das farmacêuticas, os dados parecem indicar que não existirão vacinas em número suficiente que permitam explorar a capacidade de vacinação existente.

Questionada por Moisés Ferreira, a Ministra admitiu ainda que as empresas não estão a conseguir cumprir os contratos, mas não encara a quebra das patentes como uma solução "porque ficaríamos com a fórmula, mas não teríamos forma de produzir as vacinas".

A escassez de vacinas disponíveis e os cortes nas promessas de entrega pelas grandes farmacêuticas tem gerado muita tensão, quer entre empresas e estados, quer entre governos de países. A Comissão Europeia tem estado sob pressão para justificar as baixas taxas de vacinação, que comparam negativamente com o Reino Unido e os Estados Unidos.

Também esta quarta-feira no Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen reconheceu que as coisas não estão a correr bem. Marisa Matias criticou a propriedade privada das patentes que determina que o ritmo da produção das vacinas seja gerido pelas empresas, depois de terem sido financiadas por investimento público.

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