Está aqui

Von Der Leyen assumiu excesso de otimismo na distribuição das vacinas

A presidente da Comissão Europeia reconheceu no Parlamento Europeu as falhas no processo de produção e distribuição. “O que foi há poucos meses a maior esperança da UE, está rapidamente a transformar-se no maior fiasco”, afirmou Marisa Matias.
Ursula Von Der Leyen
Ursula Von Der Leyen esta quarta-feira no Parlamento Europeu - Foto de Etienne Ansotte/Serviço Audiovisual da Comissão Europeia

Segundo o Jornal de Negócios, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula Von Der Leyen, disse numa sessão plenária do Parlamento Europeu, onde fez um balanço da estratégia da União Europeia (UE) sobre a vacinação, que “esta luta contra o vírus não está (a ser) como gostaríamos. Demoramos mais tempo na autorização e fomos demasiado otimistas na produção de vacinas e talvez tenhamos mostrado uma confiança de que o produto iria chegar atempadamente e, portanto, temos de tirar ilações”.

A presidente da CE frisou que se “subestimou as dificuldades de produção em grande escala destas vacinas”, referindo que “é preciso cinco a dez anos” para criar uma vacina, mas desta vez “foi feito em dez meses”. Por isso, pediu às farmacêuticas para “adaptarem-se ao ritmo acelerado da ciência”.

A distribuição das vacinas não está a correr como era esperado porque as farmacêuticas não entregaram as doses negociadas com a CE para o primeiro trimestre de 2021, argumentam não ter capacidade para produzir suficientes vacinas, neste tempo, para os 27 Estados-membros.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, em resposta à presidente da CE referiu: “O que foi há poucos meses a maior esperança da UE, está rapidamente a transformar-se no maior fiasco. Houve um esforço sem precedentes para obter recursos e a ciência respondeu, tudo isso é verdade. Mas onde estão as suas palavras de abril de 2020 de que as vacinas para a covid-19 seriam o nosso bem comum universal?”, questionou.

Esta foi a segunda vez esta semana que a eurodeputada bloquista e a líder da Comissão Europeia discutiram o processo de vacinação na UE. Na segunda-feira, Marisa questionou Von der Leyen sobre o contrato assinado com a AstraZeneca, que coloca a responsabilidade por eventuais riscos e danos das vacinas no lado da Comissão e dos Estados. Na altura, a presidente da Comissão respondeu que era à farmacêutica que caberia essa responsabilidade, contrariando o que está escrito no contrato que assinou.

 

Termos relacionados Política, Vacinas para todos
(...)