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Extrema-direita perde presidenciais no Chile para Gabriel Boric

Gabriel Boric foi eleito pela coligação de esquerda "Apruebo Dignidad". Com 35 anos, foi ativista estudantil e dirigente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh). É o mais novo presidente do país.
Foto de EPA/Elvis Gonzalez, agência Lusa.

O candidato de esquerda Gabriel Boric venceu a eleição presidencial do Chile deste domingo com cerca de 55% dos votos. O candidato de extrema-direita, José Antonio Kast, assumido admirador de Augusto Pinochet e defensor da ditadura, já telefonou ao adversário a reconhecer a derrota.

Boric sucede ao direitista Sebastián Pinẽra, que termina o seu segundo mandato presidencial em março de 2022. O novo presidente do Chile candidatou-se pela coligação de esquerda "Apruebo Dignidad", que reúne a Frente Ampla, da qual faz parte o Convergencia Social, partido de Boric, e o Chile Digno, liderado pelo Partido Comunista. Nesta segunda volta das eleições presidenciais chilenas, Boric recebeu o apoio de todo o espectro de centro-esquerda. A ex-presidente Michelle Bachelet apelou à sua eleição.

"Somos novas gerações que entram na política com as mãos limpas, o coração quente, mas com a cabeça fria", afirmou Gabriel Boric após exercer o direito de voto em Punta Arenas, sua cidade natal. O novo presidente do Chile tem priorizado as lutas feministas, LGBTQI+ e ambientalistas e é um defensor do Estado Social. Ampliar a gratuitidade na educação, expandir o sistema público de saúde e financiar os investimentos com impostos sobre os mais ricos e setores como a tradicional indústria mineradora chilena são algumas das suas propostas.

Dezenas de políticos, académicos e intelectuais europeus, entre os quais Boaventura Sousa Santos, Francisco Louçã, Thomas Piketty, Pilar del Río e Anne Hidalgo, assinaram um manifesto de apoio a Gabriel Boric. No documento, intitulado “Europa com Boric: por um futuro democrático e social para o Chile”, estas figuras, de diferentes áreas políticas, alertaram para o que estava em jogo nestas eleições: “é a possibilidade de avançar para um verdadeiro Estado social e democrático de direito” e “o perigo real de uma involução”. Perante isto, afirmam: “não podemos ser, nem somos, indiferentes ou neutrais”, assumindo o dever de se manifestar “a favor da democracia e da liberdade face aos autoritarismo e à desigualdade”.

Dia marcado por constrangimentos nos transportes públicos

O dia foi marcado por fortes constrangimentos nos transportes públicos, que dificultaram o exercício do direito de voto. Mas que não impediram uma forte afluência às urnas. Com 8.320.488 votos no total, a participação dos chilenos na segunda volta das eleições presidenciais foi a maior da história chilena desde 1988.

"Esta manhã vimos como as pessoas se estão a organizar para ir votar e transportar outros, perante as falhas do transporte público. Que a esperança, motivação e solidariedade que temos visto seja o que prevaleça", escreveu Gabriel Boric na sua conta de Twitter.

 

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