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“Estamos há quase 50 anos em democracia e nunca tivemos uma mulher presidente”

Em entrevista à Comunidade Cultura e Arte, Marisa Matias fala da sua proposta de “recuperação do país” face à crise social e económica, “para nos tentarmos proteger e não termos de passar por esta situação novamente”.
Marisa Matias
Eleições são “das poucas situações em democracia em que temos exatamente o mesmo poder de decidir o que quer que seja”, diz Marisa. Foto Ana Mendes.

Numa conversa organizada pelo projeto Os 230, a eurodeputada e candidata às presidenciais de 2021 abordou o contexto em que esta campanha vai acontecer, falou sobre o seu passado enquanto trabalhadora-estudante em Coimbra, o seu trabalho no Parlamento Europeu e os desafios que o país atravessa.

As dificuldades acrescidas a garantir o acesso de todos os eleitos ao voto, fruto das limitações impostas pela crise pandémica, criam para Matias Matias uma “situação muito delicada”. “Temos de pensar muito seriamente numa forma de poder garantir que as pessoas possam votar mesmo numa situação destas”, defende. 

Licenciada e doutorada pela Universidade de Coimbra, Marisa ingressou nos estudos superiores enquanto trabalhadora-estudante. E destaca a perda de proteção laboral e direitos laborais, com o aprofundamento da precariedade como um dos principais problemas da sociedade. Responder a isto exige “valorizar os direitos de quem trabalha e saber que termos um contrato que nos protege faz toda a diferença”. 

 

Falando da sua experiência como empregada de limpeza num bar em Coimbra, considera que “há muitas pessoas que acabam por ser invisíveis nas tarefas que fazem e que são fundamentais na nossa vida”. 

Se, quando apresentou a sua primeira candidatura presidencial em 2016, “estávamos a sair de uma situação de crise”, agora considerou “que era importante apresentar-me. Neste momento a crise é mais recente, não sabemos quanto tempo vai durar e estamos longe de saber as consequências do ponto de vista económico e social”, explica. 

A resposta à crise é por isso o centro da sua candidatura. “Uma proposta de resposta a situações difíceis e de recuperação do país para nos tentarmos proteger e não termos de passar por esta situação novamente”.

Para Marisa, a sua candidatura define-se numa “proposta de um país que combata todas as formas de racismo e discriminação e um modelo de desenvolvimento que finalmente comece a representar as preocupações de combate às alterações climáticas e a fazer essa transição ecológica que precisamos de fazer e que está tão atrasada”.

E relembra que “estamos há quase 50 anos em democracia em Portugal e nunca tivemos uma mulher presidente”. “Faz falta ter estas questões representadas”, diz.

Questionada sobre o futuro do país, Marisa diz que “gostava de ver um país preparado, com respostas e cuidados para todos, com direitos consagrados, que conseguiu eliminar a ameaça da extrema-direita ”, explica.

E deixa uma mensagem aos eleitores indecisos: “nos votos somos mesmo todos iguais”, algo que para a eurodeputada é a principal razão para os cidadãos votarem no dia 24 janeiro de 2021. “É das poucas situações em democracia em que temos exatamente o mesmo poder de decidir o que quer que seja”, conclui. 

 

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