“É preciso apostar muito na testagem massiva em Portugal”

23 de March 2021 - 16:31

Após a reunião do Infarmed, Moisés Ferreira defendeu que a prioridade deve ser a testagem massiva e que o Governo deve bater-se pelo levantamento das patentes para aumentar a produção de vacinas.

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Moisés Ferreira.
Moisés Ferreira. Foto de Ana Mendes.

No final da reunião entre técnicos de saúde e responsáveis políticos, o deputado bloquista Moisés Ferreira falou aos jornalistas sobre o balanço dos números da pandemia em Portugal nas últimas semanas. “Aconteceu o que se esperava, um pequeno aumento da transmissibilidade”, devido ao levantamento de algumas restrições à circulação e também à prevalência da chamada variante do Reino Unido.

Esse balanço vem trazer uma lição para o futuro próximo, diz Moisés Ferreira. “Se não se apostar na testagem, é possível que se perca novamente o controlo à transmissibiidade do vírus, e não podemos deixar que isso aconteça”.

Por isso, “a prioridade é aumentar muito a testagem”, prosseguiu o deputado, lembrando que a ministra já disse “que o país tem capacidade de testar 70, 80, 100 mil pessoas por dia”.

O Bloco de Esquerda irá apresentar um projeto de lei nesse sentido, para aumentar a capacidade de resposta, o reforço das equipas comunitárias e capacidade interna dos laboratórios do SNS, entre outras medidas. Com elas, “será possível termos muito mais capacidade de testagem e garantir que o desconfinamento será mais seguro e mais controlado do que noutros países”, afirmou o deputado.

Por outro lado, a segunda prioridade deve ir para a vacinação. “No plano inicial previa-se que devíamos ter mais de 2 milhões de pessoas com vacinação completa no final de março, mas só vamos ter meio milhão”, lembrou Moisés Ferreira. Ou seja, “estamos a vacinar menos de metade do que deveríamos para cumprir o plano nacional”, devido ao incumprimento reiterado das farmacêuticas.

“É importante que Portugal cumpra o compromisso que estabeleceu com a OMS de partilha de tecnologia das vacinas. Portugal está neste momento na presidência da UE e deve ser coerente com a posição que tomou”, ou seja, defender na UE “o levantamento das patentes das vacinas e garantir que toda a tecnologia de combate à covid-19 é propriedade pública”.

“Devemos tomar uma atitude em defesa do interesse público e da população e isso é levantar as patentes, aumentar a produção e garantir mais vacinas para Portugal e para todo o mundo”, concluiu o deputado do Bloco.

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