“É absolutamente incompreensível que o governo não queira mexer nos salários”

11 de April 2022 - 13:45

Pedro Filipe Soares encontra “respostas limitadas”, “uma teimosia incompreensível” e uma “desistência inaceitável” nas linhas gerais do próximo Orçamento do Estado e na resposta do governo à “inflação galopante”.

PARTILHAR
Pedro Filipe Soares. Foto Ana Mendes.
Pedro Filipe Soares. Foto Ana Mendes.

Pedro Filipe Soares reagiu esta segunda-feira à apresentação das linhas gerais do próximo Orçamento do Estado na sequência de uma reunião com o governo. O líder da bancada parlamentar do Bloco confirmou o quadro “que já era antecipável desde os últimos dias de debate político” com o executivo a prever “uma inflação acima daquilo que estava previsto no ano passado fruto dos efeitos económicos gerais, da guerra, de uma dinâmica que já era anterior à guerra mas que fica muito agudizada pela guerra na Ucrânia”.

O Bloco destaca que esta “inflação galopante” tem consequências diretas nos salários e nas pensões com os rendimentos das famílias a serem afetados e, por isso, questiona o governo sobre as “medidas essenciais para responder a este aumento do custo de vida e uma redução do valor dos salários”. Do outro lado encontra “respostas limitadas”, “uma teimosia incompreensível” e uma “desistência inaceitável”.

O dirigente partidário tratou de explicar estes elementos. Quanto às “respostas limitadas”, esclareceu tratar-se das medidas apresentadas neste dia. Estas terão um “impacto muito limitado” na formação do preço dos combustíveis ou do preço da eletricidade e, assim, os custos com a energia continuarão a ser “exorbitantes para uma larga maioria da população e para setores da nossa economia”.

Ao mesmo tempo, “o governo recusa controlar preços de alguns setores que se mostra estarem a aproveitar a crise para retirar lucros que não são compreensíveis”. Não taxar estes “lucros abusivos” tratar-se-á de uma “desistência que é inaceitável”. Galp, EDP, Pingo Doce ou Continente apresentam “lucros elevadíssimos” nos setores de atividade que “são aqueles que estão a puxar para cima os preços de bens e serviços essenciais”.

Para o Bloco trata-se de algo “incompreensível e é uma desistência de uma justiça na economia que era necessária”. É também uma “teimosia que não podemos aceitar: quando olhamos para uma inflação galopante que vai levar a uma maior pressão na economia das famílias”.

Por último, critica-se o governo porque “não quer mexer na política de rendimentos e de salários”, o que também se considera “absolutamente incompreensível”: “no momento em que existe uma inflação que pesa sobre salários e pensões o governo aceita que a inflação coma salários e pensões” sem que empreenda alguma ação.