Dinamarca: governo de bloco central corta feriado para aumentar despesa militar

18 de December 2022 - 11:42

Pela primeira vez em 45 anos, a Dinamarca terá um executivo de bloco central. Acordo de governo inclui baixar os impostos aos mais ricos.

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Jakob Ellemann-Jensen, Mette Frederiksen e Lars Løkke Rasmussen na primeira fila da apresentação do novo governo esta quinta.eira. Foto publicada na página Facebook da primeira-ministra dinamarquesa.

Depois de convocar eleições antecipadas na sequência do escândalo do abate ilegal de visons durante a pandemia, a primeira-ministra Mette Frederiksen, dos social-democratas, acabou por sair vencedora das urnas no início de novembro. Esta quarta-feira foi formalizado um acordo de governo de coligação à sua direita, com os Liberais liderados por Jakob Ellemann-Jensen - que assume a pasta da Defesa - e os Moderados do ex-primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen, que é o novo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Trata-se da primeira vez desde 1978 que a Dinamarca será governada por uma coligação do maior partido do centro-esquerda com os adversários da direita, uma solução governativa que a primeira-ministra já tinha colocado em cima da mesa, justificando com a incerteza provocada pela guerra na Ucrânia. O sucesso eleitoral do novo partido Moderados permitiu-lhe assumir o papel de fiel da balança no processo, enquanto o partido social-liberal, que integrava o anterior governo e foi penalizado nas urnas por ter ameaçado retirar-lhe o  apoio, provocando a resposta de Mette Frederiksen de convocar eleições, acabou por abandonar as negociações para a formação de um novo governo na terça-feira. Os três partidos contam com 89 deputados num Parlamento com 179 lugares e o apoio dos quatro parlamentares dos territórios da Gronelândia e Ilhas Faroé dão-lhes a maioria para governar.

Segundo o Financial Times, entre as linhas de ação apresentadas pelos três líderes partidários, está o aumento das despesas militares para cumprir as metas fixadas pela Nato - 2% dos orçamentos nacionais para a defesa - em 2030, três anos antes do que tinha previsto no início do ano. Social-democratas, Liberais e Moderados prometem que boa parte dessa despesa acrescida será financiada com o corte de um dos 11 feriados nacionais dinamarqueses, que dizem poder estimular a atividade económica e reduzir a despesa com o pagamento de horas extraordinárias.

O novo executivo prevê ainda antecipar a meta para a neutralidade carbónica em cinco anos, apontando agora o ano de 2045 para alcançae esse objetivo.

No plano da fiscalidade, a Dinamarca prepara-se também para reduzir a taxa do imposto sobre o rendimento anual acima de 750 mil coroas (cerca de 107 mil euros) e aumentar a taxa para os rendimentos acima de 2,5 milhões de coroas (cerca de 360 mil euros).

Esquerda acusa governo de "roubar um dia de folga para dar borlas fiscais aos milionários"

O anúncio da formação do governo de coligação à direita foi criticado pela Aliança Verde Vermelha, que deu apoio parlamentar ao anterior executivo de Mette Frederiksen e agora a acusa de ir contra a maioria verde-vermelha que se expressou nas urnas e de não cumprir as promessas feitas. "Agora teremos alterações climáticas, menos apoio à população vulnerável, roubo nas pensões e uma Dinamarca mais desigual", afirma o partido nas redes sociais, denunciando ainda a intenção da nova maioria governativa de aumentar a idade da reforma para milhares de trabalhadores.

Sobre a extinção do feriado do Dia de Todas as Orações, que se celebra na quarta sexta-feira após a Páscoa, o partido acusa o novo governo de "roubar um dia de folga para dar borlas fiscais aos milionários".