Dinamarca foi às urnas e primeira-ministra saiu reforçada

02 de November 2022 - 11:30

O resultado dá uma maioria tangencial à atual maioria que apoia o executivo, com os social-democratas a conseguirem o melhor resultado das últimas décadas. Mas não é certo com quem Mette Frederiksen prefere governar.

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Mette Frederiksen. Foto News Øresund - Johan Wessman (CC BY 3.0).

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen surpreendeu o país ao anunciar há menos de um mês a realização de eleições antecipadas. Foi uma resposta à ameaça de retirada do apoio parlamentar por parte dos social-liberais, na sequência dos resultados de uma comissão de inquérito sobre o abate ilegal de visons ordenado pelo governo durante a pandemia e que arrasou a indústria de peles dinamarquesa.

Os resultados das eleições desta terça-feira acabaram por confirmar a aposta de Frederiksen, que obteve 27,5% dos votos - o melhor resultado das últimas duas décadas - e viu a bancada dos social-democratas reforçada com mais dois deputados. Do lado dos perdedores estão os social-liberais, que perderam nove deputados e tiveram 3,6% dos votos.

Na contagem final dos votos, os partidos que atualmente apoiam o governo contam com 87 lugares na Dinamarca, a que se devem juntar mais um das Ilhas Faroe e dois da Gronelândia, permitindo assim juntar os 90 necessários para a maioria parlamentar.

Entre os partidos da atual maioria, além dos social-liberais, também a Aliança Verde-Vermelha perdeu 4 deputados, obtendo 5,1% e o Partido Popular Socialista, com 9,2%, elege mais um. À direita, o principal partido da oposição, o Partido Liberal (Venstre) cai para os 13,3% e perde quase metade dos deputados. O espaço político à direita passou a estar ocupado por dois novos partidos: os Moderados, o novo partido do ex-primeiro-ministro e líder dos liberais Lars Rasmussen, com 14 deputados e 9,2% dos votos, e os Democratas Dinamarqueses, que elegem 14 deputados com 8% dos votos. Inspirados nos vizinhos Democratas Suecos, esta formação da direita anti-imigração é liderada pela ex-ministra dos liberais Inger Stojberg, que tinha a pasta da imigração e foi demitida após um escândalo de separação de famílias nos centros de acolhimento. Além de ex-liberais, este partido junta também antigos membros do Partido do Povo Dinamarquês, outro dos grandes derrotados da noite eleitoral ao perder 11 deputados e a ficar reduzido a 2,6% dos votos. Quem ganhou terreno nesta eleição foi a Aliança Liberal, que recupera a bancada que teve entre 2015 e 2019, com 14 deputados e 7,8% dos votos.

Resta agora saber o que pretende a vencedora da eleição, Mette Frederiksen, fazer com a sua vitória. Quando anunciou a antecipação das eleições, a líder dos social-democratas abriu a porta a uma coligação ao centro, alegando a incerteza da situação internacional e económica como razão para "experimentar uma nova forma de governo na Dinamarca". Mas durante a campanha voltou a prometer que a sua preferência seria continuar a governar com o apoio do bloco de partidos à esquerda, que se recusam a apoiar uma solução centrista. Quem esperava por essa oportunidade era o líder dos Moderados, com Lars Rasmussen a desenhar a sua campanha com o objetivo de se tornar no fiel da balança para dar as chaves do executivo à esquerda ou à direita. Os próximos dias de negociações irão ditar o desfecho da formação do novo governo dinamarquês.