Desemprego de longa duração já ultrapassa metade do total

22 de August 2022 - 11:27

Das cerca de 300 mil pessoas em situação de desemprego registada pelo INE em junho, mais de 150 mil estão nessa situação há mais de um ano e 105 mil há mais de dois anos.

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Foto de Paulete Matos.

Segundo os números do Instituto Nacional de Estatística analisados pelo Público sobre o desemprego em Portugal no final do segundo trimestre deste ano, o peso do desemprego de longa duração no total de desempregados está a aumentar em Portugal. Estes números não refletem a situação do desemprego real, dado que o INE elimina dos seus dados oficiais todas as pessoas desempregadas que não procuram trabalho no período abrangido pelo inquérito.

Nos números gerais do desemprego registado pelo INE, o segundo trimestre trouxe um recuo para as 298,8 mil pessoas nessa situação. Comparando com o mesmo trimestre de 2021, também houve uma redução do número do desemprego de longa duração em cerca de 2.400 pessoas, mas o peso dos que estão desempregados há mais de um ano no total da população desempregada acabou por crescer de 44,7% para 50,9%. No caso de quem não tem trabalho há mais de dois anos, essa proporção aumentou de 23% para 35%, ou seja, mais de um terço do total da população desempregada.

Esta variação ficou a dever-se, segundo o Público, ao aumento entre os homens, nas pessoas entre os 55 e os 74 anos e entre as que têm o ensino superior, com estas a reresentarem um quinto do total do desemprego de longa duração. Ouvido pelo jornal, o economista João Cerejeira diz que uma das explicações é que “o subsídio de desemprego está a ser usado como uma antecâmara para a reforma, funciona quase como uma situação de pré-reforma para as pessoas que já têm uma capacidade de empregabilidade relativamente baixa”.

Por outro lado, acrescenta o economista, além do desajustamento de qualificações entre o tipo de oferta de emprego - como a hotelaria ou a construção - e quem os procura, que leva muitas a pessoas a preferirem o caminho da emigração, existe também o desajustamento espacial. "A mobilidade do trabalho em Portugal está muito condicionada pelo mercado de habitação, pelos transportes públicos e pelos preços do transporte privado, o que limita o raio de procura de emprego e de aceitabilidade”, diz o professor na Universidade do Minho.

De acordo com dados da Pordata citados no mês passado pelo Executive Digest, em 2021 Portugal foi o quinto país da UE com maior taxa de desemprego de longa duração, com 2,9% da população desempregada há um ano ou mais, apenas ultrapassado pela Grécia (9,2%), Espanha (6,2%), Itália (5,4%) e Eslováquia (3,9%).

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