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Colonos voltam a atacar palestinianos e membros de organizações de direitos humanos

Nações Unidas registaram no ano passado mais de 496 ataques de colonos contra palestinianos. Este foi filmado e colocado nas redes sociais e, por isso, tornou-se notícia, obrigando a reações até do Governo e da polícia.
Pormenor de um dos vídeos gravados na altura das agressões.
Pormenor de um dos vídeos gravados na altura das agressões.

Esta sexta-feira, em Burin, perto de Nablus, na Cisjordânia ocupada, um grupo de colonos israelitas atacou agricultores palestinianos e israelitas que fazem parte das associações Rabinos pelos Direitos Humanos, do Yesh Din, Voluntários pelos Direitos Humanos e da Olive Harvest Coalition. Os colonos vieram armados com bastões de basebol e lançaram pedras, ferindo dez pessoas que tiveram de ser assistidas no hospital. Incendiaram também uma viatura.

Segundo a RFI, os agricultores palestinianos e os militantes de organizações de defesa dos direitos humanos estavam a plantar árvores nas suas terras, nas imediações da aldeia, quando foram atacados de surpresa. Naquela zona, os ataques de colonos de Yithzar e do posto de Giv'at Ronen são “muito frequentes”, explica este órgão de comunicação social. O que não é exceção. O ano passado a ONU contabilizou, pelo menos, 496 ataques levados a cabo por colonos e extremistas israelitas contra palestinianos, 126 dos quais causaram feridos, de acordo com o Jerusalem Post, um aumento de 39% relativamente ao ano anterior.

A diferença neste caso é que as agressões foram, em parte, filmadas por alguns dos ativistas. O rabi Arik Ascherman, dirigente do grupo Torah for Justice, partilhou na sua conta do Twitter imagens do sucedido.

E também um jornalista norte-americano do Times of Israel, Jacob Magid, partilhou o momento em que um carro é incendiado neste ataque.

Ao contrário de outros ataques, este foi mediatizado. Ao ponto de o próprio Governo ter de reconhecer e condenar o que se passou: o ministro israelita da Saúde, Nitzan Horowitz, falou em “violência aterrorizadora” e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yaïr Lapid, declarou que este tipo de ataques tem de parar. Apesar disso, nenhum responsável governamental associou a violência com os colonos.

A polícia jurou igualmente que “agirá com determinação e forçar para encontrar os detratores da lei, apanhá-los e levá-los à justiça”, anunciando-se uma investigação. O exército e a polícia israelitas tinham sido chamados quando o incidente começou, mas só chegaram depois de tudo ter acabado.

Declarações de circunstância e sem seguimento, critica a esquerda. Mossi Raz, deputado do partido de esquerda Meretz, que participa igualmente na grande coligação governamental, diz que “a violência dos colonos está fora de controle e os ministros deste Governo não estão a fazer o suficiente para lhe pôr cobro”, de acordo com o Jerusalem Post. Junto com o seu colega Michal Rozen, Raz deslocou-se este domingo a Burin para conhecer mais pormenores do sucedido.

Também citada pelo mesmo órgão de comunicação social israelita foi a Peace Now, organização que diz que “o ministro da Defesa deve ordenar a evacuação dos colonatos ilegais, que são o centro da violência dos colonos” e que critica diretamente o primeiro-ministro: “quando a liderança política enfraquece e o Governo se dobra, não é de admirar que a violência ganhe força”.

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