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Cidadãos retidos no Brasil sentem-se "abandonados" pelo Governo

Centenas de pessoas encontram-se retidas há meses devido às medidas impostas pelo Governo português por causa da covid-19, tendo os seus voos constantemente adiados. Queixam-se da “situação insustentável” e estão sem meios para ficar mais tempo no Brasil.
Foto de Paulete Matos

Centenas de cidadãos portugueses e estrangeiros residentes em Portugal encontram-se retidos no Brasil devido às medidas implementadas para a contenção da covid-19 e pela falta de resposta do Governo português.

Alguns dos relatos dão conta de que os “voos foram cancelados e agora remarcados para daqui a um mês, porém não temos lugar para ficar e nem condições financeiras para esperar tanto tempo”. Os cidadãos denunciam que “o Governo não fornece meios” para as pessoas regressarem para Portugal, “tal como voos de repatriamento, e não há assistência da embaixada”.

Outro dos depoimentos recebidos pelo Esquerda.net refere que já teve o voo remarcado por três vezes, sendo a última para dia 19 de março. “Essa é uma situação insustentável, um cidadão perde o direito de retornar à sua casa. Passamos dificuldades em um país estrangeiro e não temos nenhum apoio do Governo”, afirma Jorge Costa.

A alternativa dada pelo consulado português é a de viajar para a França ou Suíça, mas “isso é um verdadeiro absurdo, fazer o voo direto não é possível, mas se fizer conexões em outros países, já torna possível o retorno do cidadão”.

Petição conta com mais de 850 assinaturas

O coletivo Grupo Retorno à Portugal avançou com uma petição pública que já conta com mais de 850 assinaturas.

No documento é pedido ajuda ao Governo português, já que “devido às restrições impostas pela pandemia, centenas de cidadãos portugueses e estrangeiros residentes em Portugal estão retidos em diferentes países, nomeadamente no Brasil, com os seus voos de regresso para Portugal cancelados”.

“Muitas destas pessoas retidas fora do seu país natal ou de residência estão com problemas em manter alojamento e outras despesas básicas nos países onde se encontram retidos. Muitas famílias estão separadas, muitas pessoas anseiam voltar para casa e rever os cônjuges, filhos e familiares próximos”, pode ler-se na petição.

Ao jornal Público, o consulado brasileiro em Portugal disse que não estão previstos voos de repatriamento em sentido inverso.

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