Após reunião da Concertação Social que ocorreu na passada 3ª feira, a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, prestou declarações à agência Lusa, denunciando que “houve muitos trabalhadores que, no fim de março, não receberam a totalidade dos dois terços [do salário] por falta de pagamento da Segurança Social às empresas que acabaram por pagar só os 30% que lhes dizem respeito”. Segundo a dirigente da intersindical, a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, confrontada com a situação terá respondido que “já estão a ser pagas as verbas relativas aos pedidos de março e que estão a tentar pagar também os de abril”.
A mesma fonte adianta que a reunião da Concertação Social abordou ainda o reforço da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e as medidas a adotar aquando da retoma da atividade económica. A CGTP alertou para o facto das compensações pagas aos trabalhadores em lay-off simplificado não abrangerem toda a remuneração. Estes assuntos, prevêem-se ser trabalhados na próxima 5ª em feira, em reunião entre a intersindical e a Ministra do Trabalho.
Com a proximidade do 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, a CGTP anunciou que este ano a secretária-geral realizará um discurso na Alameda, em Lisboa, num contexto de menor participação e cumprindo distanciamentos mínimos de 4 a 5 metros entre participantes. Não teremos “a Alameda cheia de trabalhadores e de famílias, nem vamos ter as tasquinhas com petiscos”. A central sindical afirma que "a participação nas iniciativas será necessariamente limitada, recomendando-se a não participação de reformados tendo em consideração as normas de protecção hoje existentes, bem como a não participação de crianças".
Em moldes semelhantes acontecerão iniciativas no Porto e noutras cidades. Segundo declarações de Isabel Camarinha à agência Lusa, "a atual situação, como despedimentos, redução dos rendimentos dos trabalhadores e a brutal violação dos direitos nos locais de trabalho, faz com que a CGTP tenha de levar isto para a rua, porque os direitos dos trabalhadores não estão suspensos". Anunciou ainda que existirão intervenções transmitidas de forma digital.