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Central de betuminoso em Ponte de Lima enfrenta oposição da população

A Predilethes ignorou a ordem do tribunal e avançou com a construção da Central de Betuminoso em Arcozelo.
Central de Betuminoso, Arcozelo
Central de Betuminoso, Ponte Lima

A Quinta da Lagoeira, detentora da Predilethes, avança com construção por licenciar de central de betuminoso na freguesia de Arcozelo, Ponte de Lima. A população veio em protesto para a rua, manifestou-se nas Assembleias Municipais e reuniu cerca 1700 assinaturas numa petição que vai levar à AR. O deputado do BE Pedro Soares, foi convidado a inteirar-se do caso pela Associação ambientalista Verde Maiúsculo.

A zona de Arcozelo, a 2km de distância em linha reta do centro urbano de Ponte de Lima, é um território eminentemente rural, com alguns aproveitamentos económicos como agricultura, biológica em particular, turismo rural, e cantaria de granito. Na zona estão implantadas ainda escolas públicas do agrupamento de Arcozelo e um complexo da Santa Casa da Misericórdia que associa cuidados de saúde, centros para infância e para a terceira idade.

O município de Ponte de Lima tem vindo a ser administrado pelo mesmo partido há várias décadas, pelo CDS. Os terrenos utilizados pela Quinta da Lagoeira foram entregues pela direção da autarquia em ajuste direto. Sem estudo de impacte ambiental, uma autorização de construção inicialmente concedida à empresa – cuja atividade registada não é a prevista para a central – foi cancelada, segundo alegam membros da associação.

Uma central de betuminoso descontínua, como a que pretendem construir, inclui produção de materiais betuminosos – para alcatroagem de estradas – e ainda uma área vasta para armazenamento de matérias primas, subprodutos e resíduos derivados dos combustíveis fósseis. Segundo os ativistas, a laboração de uma unidade destas tem um impacto fortemente negativo na poluição atmosférica, na utilização rodoviária dos acessos e no uso intensivo de meios de transporte.

Segundo a documentação reunida pela associação, a Quinta da Lagoeira pretenderá produzir 120 toneladas por hora de betuminosos, o que, implicaria a passagem de 6 camiões por hora considerando só o trânsito de saída dos produtos. O fabrico de betuminosos implica ainda a incorporação de restos de pneus, pelo que os cidadãos temem pelo futuro do local e das zona vizinhas, preocupação ainda mais vincada pela acumulação de irregularidades que, afirmam, o processo tem apresentado.

No dia 7 de janeiro o deputado Pedro Soares (na foto), que preside à Comissão de Ambiente na Assembleia da República, foi ouvir as razões da associação ambientalista que se tem oposto à construção da central de betuminoso em Arcozelo. Apesar da providência cautelar, aceite pelo tribunal em dezembro, as obras continuam a avançar, como o grupo do Bloco de Esquerda teve oportunidade de presenciar.

Deste encontro surgiu uma Pergunta de iniciativa do Bloco dirigida ao Ministério do Ambiente para a qual se aguarda resposta.

A Associação Verde Maiúsculo fez questão de demonstrar que fundamenta a sua posição por estudo de um conjunto vasto de documentos sobre o caso. Por outro lado, o presidente do município terá alegado em público que o empreendimento não tem consequências ambientais negativas, quando muito irá poluir tanto como “um forno de padaria”.

Outros argumentos favoráveis à construção da central foram desmontados pelos vários membros da Associação: a criação de emprego no local não é só ínfima – cerca de 12 postos de trabalho - como pode ser anulada e suplantada pela eliminação de muitos mais postos já existentes na escola e no centro de cuidados – várias dezenas de pessoas – se a sua localização se tornar desfavorável ou impossível. Argumentam ainda, que mesmo que a vegetação existente pudesse absorver ruídos e poluentes, capacidade que duvidam que tenha dada a envergadura da fábrica, as árvores circundantes são privadas e como tal nada assegura que não venham a ser cortadas a qualquer momento.

A preocupação com as consequências da nova central levou a direção da associação a inquirir a população de Valença, cidade próxima. Esta tem uma central análoga que labora apenas umas horas por semana. Mesmo assim as respostas que recolheram deixaram claro a preocupação sobre os fumos e poeiras poluentes produzidas.

Foram informados de que as crianças que se deslocam para a escola próxima da central têm de usar cachecóis para se protegerem dos fumos que frequentemente invadem as ruas. Alguns agricultores acabaram por abandonar as explorações agrícolas, inviáveis com aquela poluição. E que outros foram abordados pela empresa proprietária da central que lhes compra toda a produção de milho avisando que não deve ser usada na alimentação humana ou de gado.

Em Ponte de Lima, a Verde Maiúsculo organizou uma marcha lenta de 150 carros no dia 13 de novembro e uma vigília de protesto no dia 26 novembro com mais de duzentas pessoas. A oposição à construção da central afirma, nas pessoas dos dirigentes associativos, que não vai esmorecer e que tem outras formas de protesto já em vista, como vai divulgando nas redes sociais, onde se podem ver fotografias e vários vídeos sobre esta luta (“Arcozelo está de luto”).

A petição, que tinha cerca 1700 assinaturas, será levada em breve à Assembleia da República.

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