No final da videoconferência com o Presidente da República, Catarina Martins falou à comunicação social e declarou que espera que este seja o último estado de emergência, pelo menos desta fase.
"Esperamos que seja possível manter o desconfinamento, que os números continuem numa rota de controlo. É isso que esperamos, que idealmente que este seja o último estado de emergência pelo menos nesta fase”, declarou a coordenadora bloquista, acrescentando que “sendo possível avançar com o desconfinamento, não tem sentido que o estado de emergência se prolongue indefinidamente”.
Preocupação com apoios sociais e económicos
A coordenadora manifestou preocupação sobre os apoios sociais que o parlamento aprovou e que aguardam promulgação pelo Presidente da República (PR).
Catarina Martins referiu que o Governo tem anunciado muitas medidas de apoio, mas depois impõe critérios que excluem muitos dos potenciais beneficiários e “acaba por nunca executar o orçamento que anuncia para apoio às famílias”. A coordenadora do Bloco sublinhou que o Parlamento aprovou alterações ao decreto do Governo para “alargar os critérios para que os trabalhadores a recibos verdes pudessem ter os apoios prometidos e também para alargar os critérios aos apoios à família”.
“Deixámos este apelo ao PR para que estes diplomas que vêm do parlamento para que haja mais apoios às famílias e mais apoios aos trabalhadores possam ser promulgados”, declarou Catarina Martins.
Moratórias que acabam a 31 de março devem ser prolongadas
A coordenadora do Bloco alertou ainda sobre as moratórias da Associação Portuguesa de Bancos (APB) que acabam no fim de março, na próxima quarta-feira.
“Um terço do crédito empresarial está em moratória, grande parte dos setores mais vulneráveis mais afetados pela pandemia, e uma em cada cinco famílias tem uma moratória que acaba no final deste mês”, destacou Catarina Martins, acrescentando que “as moratórias das famílias são em boa parte sobre o crédito à habitação”.
“Estamos aqui sobre uma autêntica bomba relógio de crédito mal-parado”, considerou Catarina Martins e declarou:
“É essencial proteger as famílias e as empresas e fazer a passagem destas moratórias da APB para as moratórias públicas, para estendê-las pelo menos até setembro”. Acrescentou ainda que depois são necessários planos de reestruturação e de pagamento destas dívidas.
“Não podemos aceitar que as famílias e as empresas tenham sido empurradas para as moratórias por falta de apoios e agora as moratórias acabem, em pleno estado de emergência, deixando as famílias e as empresas numa situação de crédito mal-parado, que é preocupante para toda a gente. É uma tragédia para cada família, para cada empresa, é uma tragédia para a economia como um todo e para o próprio sistema financeiro, para a própria banca”, declarou Catarina Martins.
Na próxima terça-feira, o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, estará no parlamento a pedido do Bloco de Esquerda, feito há um mês, para falar sobre as moratórias.
“O apelo que fazemos é que o Governo atue rapidamente para proteger as famílias, as empresas que não podem ver as suas moratórias acabarem já na próxima quarta-feira”, reafirmou Catarina Martins.
Mariana Mortágua questionou hoje no twitter: “1/5 de todas as moratórias de crédito a habitação terminam dia 31. Porquê, se existe um regime público que termina em setembro?”
1/5 de todas as moratórias de crédito a habitação terminam dia 31. Porquê, se existe um regime público q termina em setembro? O BdP divulga estes dados tarde, mas a tempo de evitar o pior https://t.co/vDfo7n0M5g via @observadorpt
— mariana mortágua (@MRMortagua) March 24, 2021