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“Boko Haram utiliza a violência contra as mulheres como um método de destruição social”

“Boko Haram utiliza a violência contra as mulheres como um método de destruição social, por que a mulher é o pilar da sociedade”, explica Judit Prat, realizadora da curta-metragem Boko Haram, uma guerra contra elas”.
Mulheres e crianças raptadas pelo Boko Haram.

“Boko Haram utiliza a violência contra as mulheres como um método de destruição social, por que a mulher é o pilar da sociedade”, explica Judith Prat, fotojornalista e realizadora de documentários espanhola, que por estes dias estreou a sua curta-metragem “Boko Haram, uma guerra contra elas”.

No documentário da sua autoria narra as terríveis condições de vida das mulheres no nordeste da Nigéria, onde opera há cerca de seis anos esta guerrilha fundamentalista.

“A vida lá é de medo, de ter medo”, assinala. Assistiu ao resgate em massa de mulheres sequestradas pela guerrilha no bosque de Sambisa. “Foram 700 pessoas, entre mulheres e crianças, num mês”, explica, o que dá uma ideia da dimensão do conflito, silenciado até que, em abril, do ano passado, uma campanha viral nas redes sociais sobre o sequestro de 200 meninas, em Chibok, lhe deu visibilidade.

A curta-metragem de Prat dá voz a algumas das ativistas locais que puseram em marcha essa campanha. E às vítimas: mulheres maltratadas durante o período de cativeiro e, algumas, feridas pelos disparos durante as operações de resgate.

“Inteirei-me de que estavam a ser tratadas em campos de refugiados e em hospitais e fui tentar falar com elas”, explica. Os depoimentos são assustadores. “É brutal a violência exercida contra elas”, explica: espancamentos, violações e casamentos forçados. “Como é que recuperas a tua vida depois disso, ainda que sejas resgatada?”, questiona-se.

“O Boko Haram pretende implementar as normas mais estritas da sharia [a lei islâmica]” no territórios que controla, seja no nordeste da Nigéria ou nas suas extensões nos Camarões, Chade e Benim.

Após controlar um povoado, a forma de atuação habitual desta guerrilha fundamentalista, que há uns meses anunciou a sua adesão ao autoproclamado Estado Islâmico, tem duas variantes. Uma consiste em matar a maioria dos homens e sequestrar mulheres e meninas. A outra passa por implementar a sua lei e obrigar os homens a converterem-se e a aderir ao grupo. A alternativa é a morte, numa dinâmica de destruição em que a violência física e sexual contra as mulheres assume um papel chave.

Esquerda.net com Público.es

Boko Haram, una guerra contra ellas. Judith Prat

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