Bloco quer assegurar meios digitais para acesso à educação no confinamento

05 de February 2021 - 18:09

Na próxima segunda-feira, milhares de alunos e alunas voltam a ter aulas à distância, mas o acesso a meios eletrónicos continua muito desigual. Investigadores alertam para as condições precárias que muitas crianças enfrentam para estudar em casa.

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Crianças na escola/Flickr Paulete Matos

Em março e abril de 2020, a comunidade educativa confrontou-se pela primeira vez com um confinamento e o ensino à distância, devido à pandemia causada pela Covid 19. Nessa altura, o primeiro-ministro prometeu que iria garantir a universalidade do acesso à educação em plataforma digital no início do ano letivo seguinte, como recorda agora Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda que acompanha a área da educação.

Uma vez que estas afirmações não se concretizaram, o Bloco de Esquerda apresenta um projeto de resolução para responder a esta situação, propondo, entre outras medidas, garantir o acesso das famílias a tráfego de internet adequado ao ensino não presencial e misto e a distribuição de computadores e acesso à internet aos alunos e às alunas do Ensino Profissional e do Ensino Artístico do Escalão A e do Escalão B da Ação Social Escolar, que frequentam instituições do setor privado e cooperativo financiadas ou cofinanciadas com dinheiro público.

A proposta bloquista inclui ainda a garantia do reembolso das despesas efetuadas pelos docentes com a aquisição de material informático. 

Que condições têm as crianças para o estudo em casa?

O ensino não presencial reveste-se de diversas complexidades para todos os intervenientes, sendo certo que apresentou consequências sociais e pedagógicas negativas, pois agrava as desigualdades pré-existentes.

De acordo com um levantamento feito esta semana por vários investigadores da Nova School of Business and Economics - “Crianças em Portugal e ensino a distância: um retrato” -, constata-se que as condições para seguir o ensino a distância dependem fortemente dos recursos intelectuais da família. 

Recorrendo a dados de um inquérito do Instituto Nacional de Estatistica divulgado em 2019, verifica-se que entre as crianças com menos de 12 anos em Portugal, cerca de 25,8% viviam numa casa em que o telhado deixa passar água, as paredes, fundações e chão são húmidos e os caixilhos das janelas ou chão estão apodrecidos. Quase 13% não têm a casa adequadamente aquecida e 9,2% não têm luz suficiente no alojamento.

Os dados dos Censos indicam ainda que 15,5% vive em alojamentos sobrelotados, 6,5% das crianças vivem numa zona com crime, violência ou vandalismo e quase 13% em sítios com poluição, sujidade ou outros problemas ambientais.

Os autores concluem que numa realidade social tão díspar, a escola pública reveste-se de particular importância para garantir o acesso universal à educação e mitigar as desigualdades. E pretendem com este retrato das condições de vida das crianças portuguesas "reforçar a importância de regressar ao ensino presencial assim que as condições sanitárias o permitam".