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Bloco quer alargar acolhimento de emergência a quartéis, escolas ou hotéis de Lisboa

Vereador do Bloco defende mobilização do património público não ocupado ou a utilização de instalações privadas para acolher a população em situação de sem-abrigo. Medidas semelhantes já foram tomadas noutras cidades do mundo.
Manuel Grilo NPISA
Foto de esquerda.net

Numa nota enviada à agência Lusa, o vereador do Bloco em Lisboa, defende que “seja mobilizado o património público não ocupado, nomeadamente instalações das Forças Armadas e GNR, ou escolas, que tenham condições para a criação destas respostas que concentrem menos pessoas e que melhorem as condições das pessoas em situação de sem-abrigo”. 

Para o vereador Manuel Grilo, responsável pela área dos Direitos Sociais na cidade, o Estado não pode manter este património desocupado numa altura em que é necessária uma resposta à crise social criada pela pandemia da covid-19.

Na mesma nota, citada pela Lusa, o Bloco defende que, caso não seja possível avançar com esta solução, se deve avançar para a utilização de instalações privadas, como hotéis, “hostels” e alojamentos locais para “esta resposta de emergência à covid-19 para as pessoas em situação de sem-abrigo”. Neste caso, as entidades seriam ressarcidas de acordo com a tabela criada pela Segurança Social casos similares. Esta compensação serviria para garantir a manutenção dos postos de trabalho associados aos espaços requisitados.

O vereador avança no comunicado que já apresentou esta proposta ao presidente Fernando Medina e que esta terá um custo de 100 mil euros mensais, verba que poderá encaixar-se  “sem dificuldade no orçamento da Câmara Municipal".

A medida anunciada pelo vereador bloquista, a ser tomada pela autarquia, seria vantajosa, pois iria permitir o acolhimento “em espaços mais potenciadores de acompanhamento pessoa a pessoa, recusando respostas que concentram muitas pessoas no mesmo espaço, criando espaços com separação das pessoas em grupos pequenos e com melhores capacidades de isolamento se necessário”.

A mesma fonte garante ainda que a resposta “Housing First” será “acelerada nas próximas semanas”. Esta medida tem por base uma integração das pessoas em situação de sem abrigo em casas tendencialmente individuais, onde são acompanhadas por técnicos, tendo em vista a sua integração social. 

Medidas semelhantes foram tomadas em São Francisco e na Alemanha

Na cidade de Mainz, na Alemanha, vários hotéis passaram a acolher pessoas em situação de sem abrigo. Nesta reportagem da SIC Notícias  o funcionário de um hotel da cidade garante que a ideia foi bem acolhida pelos sem abrigo, que passaram a ter acesso a um quarto com todas as condições, mas também pelos funcionários do hotel, que passaram a ter o hotel ocupado, retomando as suas funções.

Num outro ponto do globo, na cidade de São Francisco (EUA), com uma população  de sem abrigo que atinge as 10.000 pessoas, as autoridades locais garantiram 4.500 quartos em hotéis para abrigar estas pessoas durante a fase de quarentena. De acordo com a “Reuters” os autarcas da cidade querem agora triplicar o número de quartos para 14.000. Com esta resposta será possível albergar toda a comunidade sem-abrigo e algumas pessoas que vivem em instalações partilhadas.

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