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Bloco diz que Eduardo Cabrita "não tem condições para continuar" no Governo

Oito meses depois do homicídio de Ihor Homenyuk nas instalações do SEF do Aeroporto de Lisboa, as declarações de Eduardo Cabrita revelam que o Ministro “não percebeu aquilo que deveria hoje ter dito ao país”, afirmou Pedro Filipe Soares.
“Quem tinha dúvida se estávamos perante uma situação pontual ou uma situação sistémica, face a todos estes relatos, e todo este cadastro, a nossa conclusão mantém-se: é um problema sistémico".
“Quem tinha dúvida se estávamos perante uma situação pontual ou uma situação sistémica, face a todos estes relatos, e todo este cadastro, a nossa conclusão mantém-se: é um problema sistémico". Foto de Tiago Petinga.

Em conferência de imprensa esta quinta-feira, o Ministro da Administração Interna recusou as críticas à sua gestão do homicídio do cidadão ucraniano, Ihor Homenyuk, que morreu nas instalações no Aeroporto de Lisboa a 12 de março, após dois dias de violência física por parte de inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. O responsável do governo recusou demitir-se do cargo.

Para Pedro Filipe Soares, “era necessário que o Ministro desse explicações adicionais”. Mas “quem oito meses depois se coloca no centro da polémica para se vitimizar, com certeza não percebeu aquilo que deveria hoje ter dito ao país”.

Da parte do Bloco de Esquerda, “desde o primeiro momento em que foram tornadas públicas as notícias que davam conta de um cidadão ucraniano ter morrido nas instalações do SEF, exigimos da tutela, o Ministério da Administração Interna, todos os esclarecimentos”, resultando na audição pública do Ministro na Assembleia da República em abril.

Nesta audição, relembra Pedro Filipe Soares, o Ministro “prometeu que, quaisquer que fossem as mudanças estruturais necessárias, as iria cumprir”, bem como que “quaisquer que fossem as investigações necessárias, que as levaria até ao final”, e ainda que “quaisquer que fossem as consequências, as iria implementar”.

“Ora, oito meses depois, nas declarações que hoje ouvimos ao país, concluímos que “o Sr. Ministro da Administração Interna não compreendeu aquilo que aconteceu”. O Bloco de Esquerda “sempre disse que eram necessárias alterações estruturais, não só por causa deste caso que foi o mais marcante dos últimos anos, mas por todas as denúncias, incluindo de associações de defesa dos imigrantes, organismos internacionais, bem como a Procuradora-Geral da República”, relembra.

“Quem tinha dúvida se estávamos perante uma situação pontual ou uma situação sistémica, face a todos estes relatos, e todo este cadastro, a nossa conclusão mantém-se: é um problema sistémico. E quem oito meses depois, se coloca no centro da polémica para se vitimizar, com certeza não percebeu aquilo que deveria hoje ter dito ao país”.

Por isso, prosseguiu o líder parlamentar bloquista, “da parte do Bloco de Esquerda, concluímos que o Ministro da Administração Interna não tem condições para continuar com a tutela do SEF e garantir que, no futuro próximo, as alterações que o SEF precisa para garantir que os direitos humanos, sejam garantia do estado de direito que é Portugal, e que jamais se repita esta tragédia”.

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