Foi a bordo do elétrico 15, na manhã desta quinta-feira em Lisboa, que o Bloco de Esquerda defendeu a gratuitidade dos transportes públicos. Catarina Martins, Beatriz Gomes Dias, deputados municipais e dirigentes da concelhia lisboeta do partido fizeram esta viagem para voltar a sublinhar que a proposta bloquista para iniciar este caminho na capital está na gaveta do presidente da Câmara desde 13 de dezembro.
Coube à vereadora bloquista Beatriz Gomes Dias explicar o processo. O partido propõe que a gratuitidade nos transportes públicos no concelho de Lisboa comece pelas pessoas desempregadas, portadoras de deficiência, mais jovens e mais velhos. A sua implementação pretende aprofundar o caminho que foi feito com a redução tarifária dos transportes “e vai permitir que as pessoas tenham mais dinheiro disponível no final do mês o que é importante e neste contexto de crise ainda é mais importante”, assegura.
Só que esta proposta, apresentada a 13 de dezembro "está na gaveta do presidente da Câmara Municipal de Lisboa". Mais de 15 reuniões do executivo depois, continua por agendar quando “o regimento prevê que sejam três reuniões de Câmara para poder ser discutida”. Para Beatriz Gomes Dias, assim está-se a “bloquear a possibilidade das pessoas de Lisboa terem transportes públicos gratuitos” porque o processo “vai levar algum tempo a ser implementado” mas “temos que começar”.
Gratuitidade dos transportes: queremos em Lisboa e queremos também no resto do país
Ao lado da vereadora, Catarina Martins reforça a ideia de bloqueio: “já lá vão mais de quatro meses desde que o Bloco apresentou a proposta” e Carlos Moedas não deixa discutir o que foi entregue nem apresenta “nenhuma proposta alternativa”. Trata-se assim de decidir “quem é que quer mais transportes públicos e transportes públicos mais baratos, mais rendimentos nos bolsos das famílias e quem quer ter apenas uma bandeira eleitoral e deixar tudo na mesma”.
O presidente da autarquia lisboeta não colocou “nada no orçamento da Câmara” neste sentido, não quis começar sequer a discussão. Desta forma, “corremos o risco de ser mesmo uma bandeira eleitoral para não cumprir ou para cumprir em final de mandato, será isso?” questiona-se.
A coordenadora bloquista defende que a gratuitidade dos transportes públicos não deve ficar limitada: “queremos em Lisboa e queremos também no resto do país” porque “vivemos num momento em que há uma crise de combustíveis, com os preços a aumentarem, mas também vivemos no momento da crise climática e portanto em todo o país tem de ser uma prioridade aumentar o número de transportes coletivos, melhorar a sua qualidade e fazer o caminho para que sejam mais baratos”.
Catarina Martins, a vereadora bloquista Beatriz Gomes Dias e a deputada municipal Isabel Pires andaram hoje no elétrico 15 para afirmar que Lisboa precisa de transportes públicos gratuitos e de mais oferta para combater as alterações climáticas e aliviar o bolso das famílias. pic.twitter.com/pmw8psQKCi
— Bloco Lisboa (@LisboaBloco) April 14, 2022
No resto do país, o processo terá de ser “solidariamente pago” por todos mas “Lisboa tem disponibilidades orçamentais que mais nenhuma autarquia tem e é por isso que deve tomar este passo”, afirma, lembrando que foi assim que foi feito com a redução tarifária nos transportes.
Questionada sobre a atuação do presidente da Câmara de Lisboa, a coordenadora do Bloco respondeu que “se fizermos uma análise deste mandato de Carlos Moedas, até agora nenhuma das suas bandeiras eleitorais teve proposta ou consequência”. O presidente da CML “tem tido um problema de afirmação do seu projeto político na Câmara de Lisboa” e “uma relação mais difícil com a Assembleia Municipal”. Pela parte do Bloco vai continuar a ser confrontado com a defesa do seu programa e com a apresentação das suas propostas. “Ninguém estava à espera que o Bloco não fizesse o seu trabalho”, esclarece também indo à questão da vitimização de Moedas quando na última reunião da Assembleia Municipal foi questionado sobre a ciclovia da Almirante Reis e contestou que estava a ser alvo de uma “diabolização”. Para Catarina Martins foi algo “destemperado” mas “toda a gente tem maus momentos” e “foi seguramente só isso”.