Aumento de candidatos comprova que não há “ensino superior a mais”

25 de August 2020 - 14:00

O presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior diz que a maior procura por cursos superiores revela uma "ampla margem de crescimento” que poderá permitir vencer os desafios da qualificação.

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Aumento de candidatos comprova que não há “ensino superior a mais”
Fotografia de Paulete Matos.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgou os dados relativos à primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior público, que registou 62.675 candidatos, o maior número "nos últimos 25 anos”. 

Para Gonçalo Leite Velho, presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup) este aumento comprova que não há “ensino superior a mais”, demonstrando também que existe no ensino superior uma “ampla margem de crescimento”, independentemente de o país enfrentar um problema de regressão demográfica.

“Apesar de termos dado um grande salto na qualificação, ainda estamos muito atrás e precisamos de ter recordes como este para, de facto, conseguirmos vencer os desafios da qualificação”, sublinhou o representante do SNESup à agência Lusa. 

Este ano as médias dos exames nacionais subiram em praticamente todas as provas, com algumas disciplinas a registarem um aumento superior a três valores face à média do anterior ano letivo. Para o Instituto de Avaliação Educativa, este aumento está relacionado com as regras excecionais implementadas devido à situação pandémica, que permitiram que os alunos realizassem os exames finais nacionais apenas nas disciplinas que elegeram como provas de ingresso. Além disso, lembra a agência Lusa, na classificação das provas deste ano, os professores contabilizaram apenas as respostas a um conjunto de perguntas obrigatórias e, nas restantes, contaram aquelas em que o aluno teve melhor pontuação, assegurando que os alunos não seriam prejudicados pelos constrangimentos impostos pelo ensino a distância.

Para Gonçalo Leite Velho, este aumento também explica o aumento das candidaturas.  “Há aqui uma ligação entre notas e aspirações. Como as notas subiram, mais pessoas têm a aspiração de poder frequentar os cursos que querem”, considerou o presidente do SNESup.

“Se estas notas forem simplesmente inflacionadas, vamos ter mais alunos, mas que sabem menos”, afirmou, acrescentando que isso representará uma pressão acrescida sobre os docentes para “colmatar estas deficiências de base”, que não será possível se as instituições regressarem ao ensino a distância.