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Aumenta o número de pessoas sem dinheiro para medicação

Programas em vigor não abrangem pessoas que perderam rendimentos na sequência da pandemia da covid-19. Associação Dignitude criou um fundo de emergência para estes casos, abrangendo já quase 500 pessoas.
Aumenta o número de pessoas sem dinheiro para medicação
Fotografia de Paulete Matos.

Os dados são do programa Abem, da associação Dignitude, que permite que mais de 16 mil pessoas em todo o país possam adquirir medicação sem pagar por ela. Criado em 2016, tem atualmente 16 vezes mais beneficiários, tendo registado um aumento de 50% no último ano. 

O programa, que funciona em parceria com autarquias e instituições sociais de todo o continente e ilhas, criou um fundo de emergência para responder aos novos pedidos, que vêm de pessoas que não cumprem os requisitos para usufruir do programa habitual.

São aquilo a que chamam de “novos pobres”, pessoas que empobreceram subitamente ou perderam todo o seu rendimento de um momento para o outro, seja devido a lay-off, despedimentos ou insolvências causadas pela pandemia da covid-19. São pessoas que, depois de tentarem cortar em todas as despesas, veem-se impedidas de comprar a medicação de que necessitam. 

Segundo o Jornal de Notícias, a referenciação é feita pelos parceiros locais, que avaliam as necessidades com base em documentos (como a última declaração de IRS) e o conhecimento que têm no terreno. Só que esta avaliação não abrange quem necessita de apoio na sequência do impacto da pandemia. 

O novo fundo de emergência criado para englobar estes casos contava em julho com 460 beneficiários, um número que aumenta diariamente. 

"Não temos o músculo do Estado nem conseguimos chegar a todo o lado, mas procuramos responder às situações mais graves. Com a pandemia, criou-se o fundo de emergência Abem covid-19, à semelhança do que fizemos após os incêndios de Pedrógão Grande, para ajudar as pessoas que sofreram um corte abrupto e inesperado devido à paralisação da economia", indica ao JN Maria de Belém Roseira, embaixadora da organização. 

De forma a garantir a privacidade dos beneficiários, o levantamento da medicação é feito normalmente numa farmácia, utilizando o utente um cartão semelhante a um cartão multibanco. O programa Abem comparticipa remédios prescritos pelo Serviço Nacional de Saúde, suportando a percentagem que o Estado não paga, para que o beneficiário não tenha de interromper o tratamento.

Para além do trabalho desta organização, existem atualmente 30 câmaras municipais em todo o continente com programas próprios de comparticipação total ou parcial de medicamentos.

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