You are here

Atraso nas inspeções às torres permitiu apagar rasto de legionella

As empresas tiveram tempo para limpar as torres de refrigeração antes da análise das autoridades de saúde, no surto de legionella que afetou os concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Matosinhos. A batéria foi detetada na torre da Longa Vida, mas correlação ainda não foi confirmada.
Legionella pneumophila - Foto wikimedia
Legionella pneumophila - Foto wikimedia

Segundo o Jornal de Notícias de sábado passado, 19 de dezembro, muitas empresas limparam as torres de refrigeração antes da inspeção feita pelas entidades de saúde. O surto de legionella, que afetou os concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Matosinhos, infetou 88 pessoas e provocou 11 mortes.

O jornal refere que o primeiro caso de legionella foi diagnosticado a 29 de outubro e a ida das delegações de saúde dos concelhos às empresas e centros comerciais teve início a 9 de novembro, 11 dias depois. A demora ajudou a apagar o rasto da legionella e muitas empresas procederam à limpeza das torres de refrigeração antes da inspeção, diz o Jornal de Notícias.

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte diz, pelo contrário, que a intervenção "foi atempada e ajustada". A ARS refere que foi preciso fazer a investigação epidemiológica e ambiental, proceder à análise e georreferenciação dos dados, avaliar os ventos, para identificar "os locais considerados como potenciais fontes de infeção".

A realidade, porém, é que, quase dois meses depois do início do surto, não há certeza quanto à origem e, apesar de ter sido detetada a batéria na torre da Longa Vida a 20 de novembro, a correlação ainda não foi comprovada.

De acordo com o jornal, uma fonte próxima do processo contou que "em muitas empresas, quando foram feitas as colheitas, havia um cheiro muito intenso a cloro, sinal de que as torres foram limpas".

O JN avança que os presidentes das Câmaras de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim queixam-se de falta de informação e dizem que já pediram uma reunião com a delegação de saúde. A presidente da Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, lembra que há uma investigação do Ministério Público em curso e refere que, apesar de a batéria da legionella ter sido detetada nas torres da Longa Vida, “não há certezas absolutas que o foco tenha estado naquela empresa”.

O último comunicado da ARS Norte, de 29 de novembro, referiu, contudo, que, desde que as torres da Longa Vida foram suspensas, os casos diminuíram e, 14 dias depois - o período de incubação -, deixaram de aparecer.

Termos relacionados Sociedade
(...)