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Ativistas pedem "mobilização da sociedade" para travar contratos de prospeção de petróleo

O realizador António Pedro Vasconcelos e o investigador João Camargo participaram numa sessão sobre a prospeção e exploração de petróleo na costa alentejana, que decorreu em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém.

"Os contratos estão feitos, para haver uma anulação é preciso uma decisão política, para isso é preciso vontade política, mas isso não chega, é preciso legitimidade", afirmou este sábado o realizador António Pedro Vasconcelos, membro do movimento Futuro Limpo.

Segundo o cineasta, é "possível" lutar contra o "poder enorme" das petrolíferas, "se houver uma grande pressão pública", sendo que é "fundamental que os cidadãos se mobilizem".

A par de se referir às motivações "ambientais" e de "sobrevivência do planeta", António Pedro Vasconcelos teceu críticas às contrapartidas contratualizadas entre o Estado e as empresas concessionárias.

Esta ideia foi secundada por João Camargo, investigador em alterações climáticas e ativista da Climáximo: "As rendas são baixíssimas, até aos primeiros cinco milhões de barris, 3%, entre os cinco e os dez milhões de barris, 5% e depois dos dez milhões de barris, 7%", assinalou, comparando com a Noruega onde "a remuneração para o Estado é na ordem dos 60 a 70%".

A avançar a exploração de petróleo na costa alentejana, setores como a pesca ou o turismo poderão estar "ameaçados", alertou, sublinhando que, na atividade de extração de hidrocarbonetos "há sempre uma poluição mínima permanente, que afeta a fauna, a flora e a pesca".

"Há uma ameaça bastante clara [na costa alentejana] de um furo em abril ou maio feito pelo consórcio da ENI e da Galp [no mar], os impactos potenciais, se tudo correr bem, são uma pequena poluição localizada, mas não devemos ficar-nos pela ideia de que um furo de prospeção não acarreta nada como consequência", referiu o ativista em declarações à agência Lusa.

João Camargo lembrou ainda que o processo de concessão decorreu “sem qualquer avaliação de impacto ambiental ou económico ou social e sem nenhuma auscultação quer às autarquias quer aos próprios cidadãos".

A sessão promovida pelo movimento Alentejo Litoral pelo Ambiente (ALA), na qual estiveram presentes cerca de 50 pessoas, contou ainda com a participação de Maria João Justino, da SOS - Salvem o Surf, associação que integra também o movimento Futuro Limpo.

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