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Associações patronais do turismo algarvio recusam aumentos salariais

Trabalhadores denunciaram em Faro o bloqueio do patronato à negociação coletiva num setor onde 80% recebem o salário mínimo nacional. Na Figueira da Foz também houve protesto por melhores salários na hotelaria e restauração.
"Não se valoriza os trabalhadores deste setor e ao mesmo tempo o que se faz é pagar baixos salários e fazer exploração máxima em termos de ritmos de trabalho", afirma o Sindicato. Foto via cgtp.pt
"Não se valoriza os trabalhadores deste setor e ao mesmo tempo o que se faz é pagar baixos salários e fazer exploração máxima em termos de ritmos de trabalho", afirma o Sindicato. Foto via cgtp.pt

Trabalhadores do setor de hotelaria e restauração algarvio realizaram esta quinta-feira uma ação de denúncia pública em Faro com o objetivo de alertar para um problema que não é novo. Desde 2007 a AIHSA – Associação dos Industriais da Hotelaria e Similares do Algarve - aceitou rever o Contrato Colectivo de Trabalho do setor somente três vezes (em 2009, 2017 e 2018). Em dez dos últimos treze anos, os salários ficaram congelados.

Em 2019 foi enviada à AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve - uma proposta para um novo Contrato Colectivo de Trabalho com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e de vida de milhares de trabalhadores a prestar trabalho nas empresas associadas nesta associação patronal, mas o Sindicato não obteve qualquer resposta.

Devido a este bloqueio, cerca de 80% dos trabalhadores deste sector recebem atualmente o Salário Mínimo Nacional. Paralelamente, a degradação das condições de trabalho tem-se agravado com a imposição de longas jornadas de trabalho e horários cada vez mais desregulados.

Protesto do setor da hotelaria e restauração na Figueira da Foz

Também esta quinta-feira, trabalhadores da hotelaria e restauração desfilaram em frente a restaurantes e hotéis pela Avenida 25 de Abril, na Figueira da Foz, exigindo aumentos salariais e a reposição dos direitos laborais. “Estamos a sair à rua, tendo em conta que consideramos necessário transmitir um sinal de confiança e ao mesmo tempo de esclarecimento aos trabalhadores sobre as situações que estão a passar no período de pandemia”, disse António Baião, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro, à Agência Lusa.

O dirigente sindical referiu que muitos destes profissionais em período de pandemia “foram logo os primeiros a serem prejudicados, muito deles com contratos a prazo, inclusive funcionários em situação de clandestinidade do seu vínculo laboral”.

“O que aconteceu é que muitas destas empresas, porque já tinham dificuldades antes da pandemia, não foram elegíveis sequer para meter os trabalhadores em ‘lay-off’, porque tinham dívidas às finanças e segurança social”, relembrou.

“Estes trabalhadores foram duplamente penalizados. Não conseguiram ir para ‘lay-off’, a sua maioria, e ao mesmo tempo ficaram sem salário para fazer face às suas despesas. Não se valoriza os trabalhadores deste setor e ao mesmo tempo o que se faz é pagar baixos salários e fazer exploração máxima em termos de ritmos de trabalho”, concluiu.

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