É um acordo muito parcial mas um passo visto como decisivo. Em Minsk, responsáveis governamentais ucranianos, russos, líderes separatistas pró-russos do Leste da Ucrânia e, como mediadores europeus, Alemanha e França assinaram esta terça-feira um acordo para que sejam realizadas eleições locais nas regiões controladas pelas forças separatistas.
Ambas as partes se comprometeram em retirar forças armadas nas zonas de Donetsk e Luhansk durante a próxima semana. E concordaram na supervisão dos observadores da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy avança assim num acordo em que empenha o seu mandato, tendo sido alvo de fortes críticas por estar, supostamente, a ceder a Moscovo. Centenas de nacionalistas saíram as ruas na praça Maidan em protesto no próprio dia do acordo. Na quarta-feira a mobilização aumentou e foram perto de um milhar de nacionalistas. O ex-presidente Poroshenko considerou também o acordo “uma capitulação”.
Zelenskiy respondeu que a Ucrânia concordou na realização de eleições locais apenas quando recuperar controlo de fronteiras com a Rússia, afirmando que “não haverá quaisquer eleições na mira de uma espingarda”.
Partes significativas da região de Donbass, no leste da Ucrânia, estão sob controlo separatista desde abril de 2014. Estas forças acreditam que uma eleição supervisionada lhes abrirá as portas para o reconhecimento internacional de um estatuto de autonomia. A Rússia tinha recusado a realização de uma cimeira entre as partes sem quem que existissem previamente estas eleições. É esta cimeira que está a ser apontada como o provável momento seguinte no processo negocial. Zelenskiy já manifestou essa vontade, Macron também e a Rússia juntou-se depois à aceitação pública do encontro.