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Assalto ao Capitólio: Guarda Nacional “protegeria” apoiantes de Trump

Um e-mail de Mark Meadows, chefe de gabinete de Trump, revela ligações entre os assaltantes e os níveis mais elevados da administração Trump. Este enfrenta a possibilidade de uma pena de prisão de um ano por recusar-se a depor perante o comité de investigação da Câmara dos Representantes.
Mark Meadows em 2018. Foto de Gage Skidmore/Flickr.
Mark Meadows em 2018. Foto de Gage Skidmore/Flickr.

Segundo um relatório do Congresso dos EUA, divulgado este domingo, Mark Meadows, que foi chefe de gabinete do ex-presidente norte-americano Donald Trump, escreveu num e-mail na véspera do ataque ao Capitólio que a Guarda Nacional “protegeria os elementos pró-Trump”.

Para o dia seguinte estava marcado um comício liderado por Trump para contestar os resultados das eleições presidenciais que perdera. Seguiu-se a invasão do Capitólio pelos seus apoiantes que causou cinco mortes, dezenas de feridos e deixou um rasto de destruição. Os manifestantes pretendiam impedir violentamente a votação de confirmação da vitória eleitoral de Biden.

Nesse e-mail, cujo destinatário não foi revelado, Meadows diz que haveria tropas da Guarda Nacional presentes, que “muitas mais” estariam de prontidão e que serviriam para proteger a extrema-direita trumpista. Ao contrário do que o nome poderia sugerir, a Guarda Nacional não é um corpo federal mas é dependente de cada um dos estados que compõem o país. A de Washington D.C. está sob alçada do próprio presidente norte-americano.

Para além deste e-mail, outra comunicação está sob escrutínio. No próprio dia da invasão, há uma troca de SMS entre Meadows e um dos organizadores da manifestação. Este, não identificado na acusação, teria escrito ao chefe de gabinete de Trump que “as coisas ficaram fora de controlo e eu preciso urgentemente de orientação, por favor”. Não foi revelada a resposta mas o comité de investigação acusa-o de ter mesmo dado orientações não especificadas.

O comité de investigação da Câmara dos Representantes queria explicações sobre estas trocas de mensagens que indiciam alguma forma de coordenação ao mais alto nível governamental com os organizadores do ataque. Mas o ex-governante tem-se recusado a cooperar com o inquérito, não forneceu parte da documentação que lhe foi requerida e nem sequer compareceu, apesar de ter sido intimado para o fazer. A recomendação agora é que seja formalmente acusado de desobediência.

O chefe de gabinete de Trump alega que, por ter estado a trabalhar para o então presidente, o seu testemunho estaria protegido por um estatuto de privilégio. Mas o comité responde que não se trata sequer do que estaria autorizado a dizer ou do que poderia não dizer porque “se recusou de todo a comparecer e providenciar qualquer testemunho.” Não é o único. Pode vir a ser o terceiro elemento próximo de Trump a ser acusado de desacato ao autoridade por se recusar a cooperar com a investigação. Também o ideólogo da extrema-direita global e ex-estratega de Trump, Steve Bannon, e um responsável do Departamento de Justiça, Jeffrey Clark, adotaram a mesma atitude e enfrentam a mesma possibilidade. Uma acusação de que poderá resultar um pena de prisão de um ano.

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