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Organizadores da manifestação do dia do ataque ao Capitólio revelam ligações à Casa Branca

Dois dos organizadores da manifestação que precedeu o ataque contaram à revista Rolling Stone as reuniões de preparação do evento com congressistas e dirigentes da Casa Branca e dizem que o Chefe de Pessoal da Casa Branca foi avisado dos perigos de uma ação violenta.
Ataque ao Capitólio. Foto de Tyler Merbler/Flickr.
Ataque ao Capitólio. Foto de Tyler Merbler/Flickr.

Segundo a revista norte-americana Rolling Stone, organizadores do protesto que originou o ataque de extrema-direita ao Capitólio dos Estados Unidos participaram em “dezenas de reuniões de organização” com membros do Congresso e até dirigentes da Casa Branca durante a preparação desta ação.

Duas fontes confirmaram a este meio de comunicação social que estão em contacto com a Comissão de Inquérito que investiga a organização do evento que resultou na tentativa de inviabilizar pela força a confirmação da vitória eleitoral de Joe Biden. Dizem-se disponíveis para prestar declarações ao órgão mas ainda não o fizeram até ao momento.

Um dos participantes nestas reuniões terá sido o próprio Chefe de Pessoal da Casa Branca na Administração de Donald Trump, Mark Meadows. Marjorie Taylor Greene, Paul Gosar, Laureen Boebert, Mo Brooks, Madison Cawthorn, Abdy Biggs e Louie Ghomert, congressistas republicanos são outros dos implicados na participação nestas reuniões ou de terem enviado a elas pessoal dirigente dos seus gabinetes.

Gosar, congressista do Arizona, é ainda acusado de nelas ter dado “várias garantias” de um perdão presidencial para os organizadores do protesto numa investigação sobre outro caso, como forma de os instigar à ação. A Rolling Stone garante igualmente ter provas de que as suas duas fontes estiveram em contacto com Gosar e Boerbert no próprio dia do ataque.

Também Ali Alexander, outro dos organizadores do protesto e que liderava o grupo Stop the Steal, tinha já referido numa transmissão vídeo ao vivo, entretanto apagada, que Gosar, Brooks e Biggs tinham conjuntamente tido a ideia do protesto. “Os quatro montámos o esquema que colocava máxima pressão sobre o Congresso enquanto eles votavam de forma a que – àqueles a que não conseguíamos chegar através de lóbi – pudéssemos mudar o coração e a mente dos republicanos que pertenciam àquele órgão ao ouvirem o nosso rugido ruidoso a partir de fora”.

As fontes da Rolling Stone garantem manter as mesmas reservas que tinham antes sobre o resultado das últimas eleições presidenciais nos EUA, mas demarcam-se dos atos violentos. Um deles declarou: “claramente muitos maus atores lançaram o caos... Fizeram-nos parecer a todos como merda”. Sentem-se assim “abandonados” por Trump, que seria um destes “maus atores, prometendo contar à Comissão de Inquérito como foram financiadas as manifestações e detalhar as suas comunicações com a Casa Branca, apresentando Katrina Pierson, uma responsável pelas campanhas de Trump, como um dos elementos de ligação.

Já sobre o papel de Meadows, ambas as fontes o descrevem como tendo tido um papel importante nas conversações sobre o protesto e estando “100% consciente do que se estava a passar”. Asseguram que estava ciente do potencial de violência, já que a ele se queixaram que Alexander, que apelara a um “Protesto Selvagem” em frente ao Capitólio a 6 de janeiro mas combinara tê-lo deixado cair em benefício do evento principal, continuava a preparar esta ação.

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