A ex-candidata presidencial Ana Gomes participou esta quarta-feira da sessão "O dinheiro não cai do céu: como combater o crime económico?", organizada pelo Bloco de Esquerda na Casa do Alentejo em Lisboa. Nela, juntou a sua voz à do partido na exigência do fim dos vistos Gold e do SIFIDE, o Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Empresarial, que, disse, “apenas serve para borlas fiscais”.
Antes dela, Catarina Martins também tinha criticado o SIFIDE que “atribui um desconto em IRC que pode chegar a 82,5% das despesas realizadas pelas empresas em investigação e desenvolvimento, incluindo participações em fundos de investimento chamados fundos de capital de risco”, num sistema em que “as regras não obrigavam a qualquer investimento real em investigação, mas apenas à compra de participações num fundo que tivesse um nome catita”.
O trabalho da @mmatias_ e da @AnaMartinsGomes no parlamento europeu e o da @MRMortagua na assembleia da república quebraram o muro de opacidade e silêncio em torno do crime económico. Muito do que sabemos devemos ao seu trabalho. É um privilégio estar ao seu lado neste combate https://t.co/3y3Qy6n9tx
— Catarina Martins (@catarina_mart) December 8, 2021
Por sua vez, Ana Gomes questionou: “Quem inventou este SIFIDE? Que consultora é que trabalhou para o Governo para organizar este SIFIDE? Quem está por trás dele? Que escritórios de advogados intervieram nisto?”. E acrescentou: “pior ainda é a perversão que está organizada e que permite que sejam não apenas empresas, mas também fundos de investimento. É significativo que sejam fundos suspeitos por algumas negociatas de que se ouve falar que sejam os grandes beneficiários disto, por exemplo, um fundo chamado Capital Criativo”.
Para além deste tema, a destacada militante socialista também criticou os vistos Gold que vê “como um esquema vergonhoso organizado para facilitar a fraude”. Segundo ela, “é vergonhoso ver Portugal envolvido nisto e especializando-se a aperfeiçoar esta perfídia, que até levanta questões de segurança”.
A primeira a levantar a questão dos vistos Gold esta quarta-feira fora a eurodeputada bloquista Marisa Matias que abriu a sessão. Informou que, já em janeiro, no Parlamento Europeu votar-se-á um relatório que propõe acabar, faseadamente, com os vistos Gold até 2025.
Este relatório “demonstra como este mecanismo contribui para a destruição da democracia e é uma prática de encobrimento de crime económico e financeiro”. E Marisa disse sentir a propósito dele que tem “muita curiosidade em perceber qual será a reação do Governo português face a esta recomendação de uma liberal europeia para que se acabe com os vistos Gold até 2025”.