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Amazónia perde área equivalente a território de Espanha em vinte anos

Em duas décadas, a Amazónia perdeu 513 mil km2, uma redução na ordem dos 8%. Ativistas acusam a atividade mineira, os projetos de infraestruturas e os incêndios florestais como responsáveis pela desflorestação.
Amazónia perde área equivalente a território de Espanha em vinte anos
Fotografia de Amazônia Real/Flickr.

A desflorestação na Amazónia atingiu, entre 2000 e 2018, 513.016 km2, uma área equivalente ao território da Espanha. Estes valores traduzem-se numa redução de cerca de 8% da maior floresta tropical do mundo.

Segundo o relatório da Rede Amazónica de Informação Geográfica e Socioambiental (Raisg), um grupo composto por investigadores e organizações não-governamentais (ONG), a Amazónia "está muito mais ameaçada do que há oito anos", altura em que a mesma organização publicou um estudo semelhante, explica a agência Lusa.

O relatório, intitulado "Amazónia sob pressão", aponta para "o avanço das atividades mineiras, projetos de infraestruturas e o ressurgimento dos incêndios florestais".

A floresta amazónica abrange nove países (Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa) e tem uma população de cerca de 47 milhões de habitantes, incluindo muitas comunidades indígenas. 62% do seu território pertence ao Brasil e é aí que mais de 85% da desflorestação teve lugar.

O ano de 2003 mantém-se como o pior em termos de desflorestação entre o período de tempo analisado. Só nesse ano foram desmatados 49.240 km2. Depois disso seguiu-se um período de abrandamento, tendo o processo de desflorestação voltado a acelerar a partir de 2012. A área desmatada "triplicou de 2015 para 2018, atingindo 31.269 km2 só em 2018", diz o relatório ontem divulgado.

A situação piorou desde a eleição, em 2019, do Presidente Jair Bolsonaro, que favorece a abertura das áreas protegidas e territórios indígenas à exploração mineira e agrícola.

Os satélites do Instituto Nacional de Investigação Espacial (INPE) do Brasil contabilizaram 11.088 km2 de floresta destruída entre agosto de 2018 e julho de 2019, o pior valor em 12 anos e um aumento de 9,5% em relação aos 12 meses anteriores.

O Brasil acolhe também 53,8% das 4.472 zonas de mineração ilegal, incluindo a exploração de ouro, identificados pela Raisg na Amazónia. De assinalar é também a Venezuela, que embora só tenha 5,6% do território da floresta amazónica, é responsável por 32% das zonas de mineração.

"Estes dados mostram que seria importante para os países da Amazónia trabalharem em conjunto para combater o avanço do desmatamento", diz Júlia Jacomini, investigadora do Instituto Socioambiental, uma ONG brasileira membro da Raisg.

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