De acordo com a Observatório do Clima, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pecam por defeito, na medida em que um dos satélites utilizados pelo Inpe registou uma falha na monitorização do dia 16 de agosto, o que resultou num número anormalmente baixo de deteções.
Entre maio e agosto, período em que o Exército marca presença na Amazónia no âmbito da Operação Verde Brasil 2, o número de queimadas foi de 39.187, praticamente idêntico ao de 2019 (38.952).
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Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório, considera que estes dados espelham o fracasso da operação promovida pelo governo de Jair Bolsonaro, em detrimento de um plano de combate à desflorestação.
“O teatro militar montado pelo general Hamilton Mourão na Amazónia para iludir os investidores não conseguiu enganar os satélites. Gastamos tempo e dinheiro do contribuinte, emitimos carbono, transformamos a nossa credibilidade em fumaça e perdemos biodiversidade que não é recuperada. Tudo isso porque as pessoas que estão no poder se recusam a implementar políticas públicas de combate à desflorestação e ao fogo que não só já existiam como resultaram no passado”, afirmou Marcio Astrini.
Em 2020, o número de alertas de desflorestação na Amazónia foi 34% maior do que em 2019. Estima-se que tenha ocorrido uma desflorestação efetiva superior a 12 mil quilómetros quadrados, três vezes mais do que a meta da Política Nacional de Mudança do Clima para 2020. O Brasil poderá tornar-se no único dos grandes emissores de gases de efeito estufa a aumentar as suas emissões em plena crise pandémica, afastando-se também da meta do Acordo de Paris.