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Agência europeia alerta para os baixos salários nos cuidados a idosos em Portugal

Mulheres, a recibos verdes, com horários irregulares e risco profissional elevado. Este é o retrato-robot do setor dos cuidados continuados em Portugal. Apenas Roménia, Itália e Eslovénia pagam pior do que o nosso país.
Idoso. Foto de Paulete Matos.
Idoso. Foto de Paulete Matos.

Segundo um relatório da Fundação Europeia para a Condições do Trabalho, a Eurofound, uma agência da União Europeia sediada na Irlanda, publicado a semana passada e citado esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias, Portugal é dos países europeus onde menos se paga aos trabalhadores encarregues dos cuidados a idosos.

O estudo indica que o nosso país ocupa o quarto lugar dos piores salários neste setor, atrás da Roménia, da Itália e da Eslovénia. Estes trabalhadores recebem apenas 67% da média salarial nacional. Uma média ainda mais baixa nas categorias pior remuneradas. De acordo com os dados apresentados, em 2019, a média salarial anual do país terá sido 18.111 euros. Um ajudante de ação direta que trabalhe num lar tem um salário que começa nos 8.708,48 anuais, um ajudante numa instituição para pessoas com deficiência ganhava 8.568,47 anuais e um enfermeiro contratado por uma instituição particular de solidariedade social 13.580,75 anuais.

Em vários outros países, os salários do setor são mais baixo do que a média salarial. Pela positiva, destaca-se a Holanda em que os trabalhadores dos cuidados a idosos ganhar 94% da média dos outros.

Também a precariedade parece ser norma em Portugal alerta o estudo, apesar da dificuldade em recolher dados. Segundo a Eurofound a proporção de trabalhadores com vínculo formal de emprego nos cuidados continuados representa 3,4% dos trabalhadores e há muitos recibos verdes.

Por exemplo, 49% dos enfermeiros da rede de cuidados continuados da zona Centro têm o estatuto de trabalhadores independentes, refere-se citando um estudo da Ordem dos Enfermeiros. Também segundo o mesmo estudo, as taxas de rotatividade são grandes entre os enfermeiros: 36% para os que trabalham em unidades de média duração e reabilitação, 24% para quem trabalhe em unidades de longa duração e manutenção, 17% para quem trabalhe nas unidades de convalescença da rede de cuidados continuados.

O retrato do setor é também marcado por um elevado número de mulheres, 81% destas trabalhadoras são mulheres, e pelo envelhecimento, 38% têm 50 anos ou mais.

Segundo esta agência europeia o trabalho nos cuidados continuados é feito à custa de muitos horários e irregulares, com um terço dos trabalhadores a trabalhar por turnos, e por riscos profissionais elevados, havendo 40% dos trabalhadores que denunciam dificuldades nas tarefas e abusos.

A Eurofound insta os governos da União Europeia a “importem condições de trabalho adequadas”, até porque em muitos casos são grandes financiadores do setor.

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