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Agência de viagens do Corte Inglés recorre a lay-off mas obriga funcionários a trabalhar

O portal despedimentos.pt recebeu denúncias de que a Viagens El Corte Inglés recebeu apoio estatal para manter 80% dos trabalhadores em lay-off mas obrigou-os a continuarem a trabalhar.
Viagens El Corte Inglés. Foto do Despedimentos.pt.
Viagens El Corte Inglés. Foto do Despedimentos.pt.

Segundo notícia publicada esta segunda-feira no portal de denúncias de abusos laborais despedimentos.pt, a administração da empresa Viagens El Corte Inglés terá recebido apoio “do tipo lay off para 80% dos seus trabalhadores, mas está a obrigar estes funcionários a continuarem a trabalhar”.

Esta agência de viagens tem mais de 20 lojas em vários pontos do país e, desde o passado mês de outubro, beneficia do Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva da Atividade Económica, o regime que sucedeu ao denominado “lay-off simplificado”, “com redução total do horário de trabalho para cerca de 150 trabalhadores”.

As denúncias recebidas no portal “garantem que os funcionários, que têm uma redução do seu salário por estarem abrangidos por esta medida, são coagidos a continuarem a desempenhar o seu trabalho diariamente, em casa ou até mesmo no seu local de trabalho”. Isto faz, alega-se, com que a empresa beneficie do apoio público para a manutenção do emprego, em que a Segurança Social paga integralmente a remuneração dos funcionários (que apenas recebem 88% do salário), “mas obriga os trabalhadores a cumprir tarefas e horários completos”.

O despedimentos.pt detalha o que se terá passado, segundo estas denúncias: numa fase inicial, “as chefias começaram por pedir esporadicamente aos trabalhadores a realização de algum trabalho específico”. Depois, “progressivamente, as ordens foram-se tornando mais frequentes, até se instituir a obrigação permanente de cumprir o trabalho como se não estivesse em vigor a medida do tipo lay-off”. Esclarece-se que alguns departamentos estão a trabalhar sem qualquer alteração, inclusivamente forçando os trabalhadores a realizar visitas a clientes e empresas e que “há também diversas formações, cursos e reuniões de comparência obrigatória, sem margem para justificar a ausência”.

De acordo com o portal, “os relatos descrevem um clima de receio entre os e as profissionais, crescendo também a indignação perante a chantagem e o desprezo que a administração demonstra por trabalhadores que, em muitos casos, estão há mais 10 ou até 15 anos na empresa”. Estas denúncias indicam que “foi o próprio diretor dos departamento de recursos humanos a dizer aos trabalhadores que os horários remetidos à Segurança Social são apenas uma formalidade, ordenando que todos devem estar permanentemente disponíveis para trabalhar de forma normal”.

Recorde-se que, logo no início da crise sanitária, o grupo El Corte Inglés seguiu um padrão semelhante a muitas outras grandes empresas, requerendo o apoio público para a manutenção dos postos de trabalho, através do acesso ao “lay off simplificado”, mas simultaneamente despedindo trabalhadores com vínculos precários. Estes despedimentos ocorreram em diferentes departamentos e empresas do grupo, incluindo na Viagens El Corte Inglés.

O El Corte Inglés, conhecido grupo retalhista espanhol, presente em Portugal desde 2001, obteve em 2019 os melhores resultados da última década, com o lucro a atingir os 310 milhões de euros.

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