Adiamento de exames está a atrasar diagnósticos do cancro, alerta especialista

15 de June 2020 - 21:08

Muitas endoscopias e colonoscopias ficaram por fazer nos últimos meses, devido aos planos de contingência nos hospitais. Presidente da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal alerta para as consequências deste atraso.

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Foto de Paulete Matos

Num artigo publicado na Nature Reviews – Gastroenterology & Hepatology, citado pela Lusa, o presidente da Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal mostra-se preocupado com o adiamento dos exames de diagnóstico, considerando que “a solução é adaptar as práticas diárias, realizando uma triagem e uma estratificação do risco em todos os doentes que necessitam de endoscopia e até adiando os procedimentos considerados não urgentes”.

Para Mário Dinis-Ribeiro, “os médicos devem pesar cuidadosamente, caso a caso, os benefícios da endoscopia e o risco de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Isso pode ter um impacto significativo nos cancros diagnosticados e tratados com endoscopia, como o cancro gástrico e o cancro colorretal”. O professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e investigador do CINTESIS diz que é fundamental proteger os profissionais da saúde que fazem o diagnóstico e os próprios doentes de risco, como os que sofrem de doença cardíaca, pulmonar ou o próprio cancro.

O especialista salienta também que “a falta de rastreio destes cancros possa afetar milhões de pessoas em todo o mundo e que os efeitos a curto prazo são ainda desconhecidos” e que “um dos maiores receios é que muitos cancros deixem de ser detetados em fases iniciais, o que terá um impacto substancial no tratamento e na sobrevivência dos doentes”.

Devido à pandemia muito mudou nos serviços de saúde, deixando por realizar muitas endoscopias e colonoscopias. Vários profissionais de saúde passaram para o tratamento da covid-19, outros tiveram que ficar em isolamento ou quarentena, e muitos doentes não foram fazer os diagnósticos com receio de contrair o vírus.

Mário Dinis-Ribeiro considera que “ainda há muitas questões em aberto, como, por exemplo, a da priorização de doentes para realização de endoscopia, enquanto a pandemia durar”, referindo, no entanto, que a marcação dos exames que foram cancelados ou adiados deve ser realizada brevemente.

Os riscos para pacientes e profissionais da saúde associados a estes exames de diagnóstico são também reconhecidos pela DGS, que considera que é necessário adotar medidas para organizar os serviços por forma a reduzir a possibilidade de propagação da covid-19.