25 mil imigrantes esperam por vaga no SEF

22 de October 2022 - 16:28

Os processos de autorização de residência têm atrasos médios de dois anos fazendo os trabalhadores perder emprego e ficarem impedidos de sair do país. Quem tem autorização de residência e pretende renovar também não está conseguir fazê-lo atempadamente.

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SEF. Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa.
SEF. Foto de Miguel Pereira da Silva/Lusa.

São 25 mil os trabalhadores imigrantes que entregaram manifestações de interesses e que esperam por uma entrevista para obter autorização de residência em Portugal. O número foi indicado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ao Jornal de Notícias que salienta o “limbo” em que estas pessoas são obrigadas a viver pelos atrasos burocráticos.

Em média, os cidadãos estrangeiros são obrigados a esperar dois anos para chegar à fase da entrevista que lhes pode permitir alcançar a autorização de residência. O mesmo SEF informa que “recentemente, foram notificados cerca de 4.500 cidadãos estrangeiros, com manifestação de interesse submetido até 15 de outubro de 2020”. Faltam assim todos os que entregaram documentos posteriormente.

E o caos burocrático não acaba aqui: quem precisar de renovar a autorização de residência também não está a consegui-lo. O sistema devia ser automático mas não está a funcionar.

A isto se soma a situação de quem procura autorização de residência por reagrupamento familiar ou enquanto estudante de Ensino Superior. Nestes casos é preciso esperar uma abertura de vaga e depois tentar contactar telefonicamente o serviço de forma a agendar a entrevista. De acordo com o JN “há relatos de pessoas que ligam mais de cinco mil vezes, recorrendo a aplicações móveis”.

Aquele órgão de comunicação social falou com Cynthia de Paula, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, que explicou que as pessoas lhe chegam “desesperadas” porque “ficam impedidos de viajar, por exemplo” e “apesar de ser legal trabalhar com manifestação de interesse, há empresas que só aceitam os trabalhadores com autorização de residência”. Assim, os imigrantes estão “numa situação de desigualdade de direitos” e sofrem “uma enorme pressão psicológica”: “com a situação irregular, estas pessoas ficam mais expostas à exploração laboral e a serem vítimas de racismo e de xenofobia”.