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Wiriamu: O massacre esquecido

O massacre de que vos quero falar aconteceu connosco. Os intervenientes eram portugueses. Aconteceu em Moçambique. E é estranho que já ninguém pareça recordar-se dele: é incómodo e por isso tenta-se esquecê-lo. Por Carmo Vicente.

Quase todos os portugueses ouviram falar do massacre de MYLAI, em que se tornou tristemente célebre um tenente americano de nome Calley. Também quase todos sabem que Mylai era uma povoação do Vietname onde foram massacradas algumas dezenas de homens, mulheres e crianças às ordens do tal tenente, e da tinta que se gastou sobre o assunto em vários jornais por todo o Mundo. O referido tenente foi mesmo julgado e condenado por um tribunal do seu país e expulso das Forças Armadas.

Mas não é sobre Mylai que eu pretendo escrever. Quero falar de um outro massacre de muito maior dimensão e talvez ainda mais terrível do que aquele que um dia se passou nessa aldeia distante do Vietname. O massacre de que vos quero falar aconteceu connosco. Os intervenientes eram portugueses. Aconteceu em Moçambique. E é estranho que já ninguém pareça recordar-se dele: é incómodo e por isso tenta-se esquecê-lo. Tudo o que é incómodo esquece-se neste nosso belo pais à "beira mar plantado". (...)

Neste país onde alguns de nós tivemos a desgraça de nascer e, onde outros prosperam enganando toda a gente, sabe-se que houve uma guerra no Vietname, mas pasme-se!... da guerra colonial que fez milhares de mortos portugueses e africanos, já ninguém parece querer recordar-se, "emboramente!! (como diria o Odorico) ela tenha durado mais do dobro da Segunda Guerra Mundial, nos tenha dito directamente respeito e tenha marcado toda uma geração.

Pois, mau grado a opinião de muitos, que irão comentar: “- Lá está aquele gajo a lembrar-se de pecados esquecidos": Eu hoje vou falar da guerra colonial. Vou falar de uma das maiores chacinas cometidas durante o conflito: o massacre de WIRYAMU, CHAWOLA e JUWAU, no distrito de Tete, em Moçambique. Levado a cabo por tropas coloniais portuguesas e pela PIDE-DGS. Mas vamos aos factos:

No dia 14 de Dezembro de 1972, um avião português, de pequeno porte, foi “atingido por um tiro quando viajava da cidade da Beira para Tete, uma cidade do interior de Moçambique situada junto ao rio Zambeze, cerca de noventa a cem quilómetros abaixo da barragem de Cabora Bassa. Acontece que, esse pequeno avião civil apesar de atingido (por um único tiro) aterrou sem novidade no aeroporto de Tete, tendo os seus ocupantes apresentado queixa às autoridades militares e à PIDE/DGS da mesma cidade.

Feito o estudo do local onde o avião tinha sido atingido, chegou-se à “conclusão que o ataque teria partido de uma área aproximada que abrangia as aldeias de WIRIAMU, CHAWOLA e JUMAU.

Logo no dia seguinte, a DGS nomeou um dos seus agentes de nome Chico Kachavi, torturador profissional da prisão de Tete e já responsável pelo espancamento de outras populações. Era um indivíduo sem qualquer espécie de escrúpulos, munido de uma força descomunal que se dizia que conseguia matar qualquer pessoa com um único murro na cabeça. Este célebre jagunço negro, em Abril de 1971, na companhia de um inspector branco da mesma famigerada polícia, tinha espancado quase até à morte um catequista católico que só escapou graças à intervenção de vários missionários que terão chegado a tempo de lhe salvar a vida. Assim, não admira que tenha sido este bandido o escolhido vara proceder a averiguações nas referidas localidades. Claro que não conseguiu a mais leve informação, e nem outra coisa seria de esperar. Em Tete e qualquer outro ponto de

Moçambique, as populações negras estavam solidárias com a Frelimo, além de que semelhante personagem não devia saber convencer sem ser através da tortura. Como Chico Kachavi nada conseguiu, as autoridades militares resolveram enviar uma patrulha do Exército para proceder a averiguações, que acabou por cair na emboscada da Frelimo, montada junto à aldeia de Corneta, situada perto da estrada Beira-Tete. Como represália, a força militar incendiou a aldeia, mas toda a população conseguiu fugir para o mato, não sofrendo qualquer dano, para além da perda de todos os seus haveres.

Foi então resolvido pelas autoridades militares do "sector" dar uma forte lição às populações da zona. Uma lição terrível que ninguém mais esqueceria. E aqueles que viveram para poderem recordar não esquecerão jamais aquele dia fatídico de 16 de Dezembro de 1972.

A acção teve lugar na tarde do dia 16 com o lançamento de algumas bombas, por dois aviões, sobre a maior povoação que era Wiriamu. Acabado o bombardeamento, a aldeia foi tomada de assalto por ''Comandos"' helitransportados e parece que também por um grupo dos tais "GEPS" (Grupos Especiais de Paraquedistas) de Jorge Jardim, não esquecendo um grande número de agentes da Pide onde pontificava, como não podia deixar de ser, o tal Chico Kachavi. Cercada a aldeia a população: homens, mulheres e crianças foram alinhadas no largo da aldeia e prontamente fuziladas, tendo muitas pessoas sido empurradas para dentro das cubatas e queimadas conjuntamente com elas. Isto, enquanto alguns soldados (e talvez não só soldados) iniciavam um desafio de futebol, em que as bolas eram, simplesmente, crianças.

Segundo o Padre católico Adrian Hastings, no seu relatório à ONU, sobre os referidos massacres, mais tarde transposto para o livro editado em Portugal pelo "Afrontamento!" cujo título é precisamente "WIRIAMU", diz a determinada altura.

“Um grupo de soldados juntou uma parte do povo num pátio para o fuzilamento. O povo assim reunido foi obrigado sentar-se em dois grupos: o grupo dos homens de um lado e o das mulheres noutro, a fim de poderem todos ver melhor como iam caindo os fuzilados.

Um soldado chamava por sinal a quem quisesse (quer homem, quer mulher, quer criança). O designado punha-se de pé, destacava-se do conjunto,o soldado disparava sobre ele e a vitima caía fulminada”.

E ainda segundo o relatório de Hastings:

“Uma mulher chamada Vaina foi convidada a pôr-se de pé. Ela levantou-se com o seu filhinho Xanu ao colo, uma criança de nove meses, A mulher caiu varada por uma bala. A criança desenvencilhou-se e sentou-se ao lado da mãe morta. Chorava desesperadamente sem que ninguém lhe pudesse valer. Um soldado avançou para a fazer calar. - Que desilusão!- Sob o olhar atónito do povo reunido, o soldado agrediu a criança com um forte pontapé esfacelando-lhe a cabeça. “Cala-te cão!” - Concluiu ele. A criança prostrada já não chorou mais. Estava morta. Voltou o soldado com a bota ensanguentada. Os companheiros acolheram o feito com uma salva de palmas. “Muito bem!” - Gritaram-lhe eles.- "És um valentão2. Foi o início de um futebol macabro. Os companheiros seguiram-lhe o exemplo. E assim como esta, morreram várias outras crianças cruelmente agredidas a pontapé pela soldadesca!!

Mas as selvajarias não tiveram limites, entre outros crimes repugnantes, sempre segundo o padre Hastings, conta-se o seguinte:

"Os soldados, na sua divagação pelo povoado, encontraram uma mulher, de nome Zostina que se achava grávida. Perguntaram-lhe pelo sexo do que levava dentro de si. ''Não sei” - responde ela. Já o saberás!! - disseram-lhes eles. Imediatamente, a facadas abriram-lhe o ventre, extraindo-lhe violentamente as vísceras e mostrando-lhe o feto, que se debatia convulsivamente, diziam: "Vês? Já sabes agora?''. Depois, mãe e filho foram consumidos pelas chamas.

Outros soldados divertiam-se a matar crianças, agarrando-as pelas pernas, arremessando-as contra o solo ou contra as árvores”.

Mas também as violações das mulheres foram o ''prato do dia”. Violações seguidas da morte das violadas:

“Um grupo bastante numeroso de soldados arrastou quatro donzelas para um local escuso, onde foram cruelmente massacradas, depois de terem sido brutalmente violadas. "Ninguém mais gozará de vós” - diziam os soldados em tom de triunfo prenhe de ódio. Tiraram-lhe as ‘missangas’ (adorno interior das mulheres em volta da cintura). Aqueles soldados levavam-nas como troféus, em volta do pescoço à guisa de colares”.

Dezenas de outras maneiras de matar terão sido aplicadas aos assassinados destas três povoações-mártires, mesmo para além daquelas que o padre Hastings conta no seu relatório. A imaginação dos carrascos não terá tido limites e apesar deste artigo já estar extenso não posso deixar passar o que se segue:

"Chintheya, uma rapariga de quatro anos, assustada, chora.

Um soldado, simulando compaixão, aproxima-se e, acariciando a criança, pergunta-lhe se está com fome. Sem porém, esperar resposta, continua: "'Toma o biberão”. E metendo à força o cano da arma de fogo na boca da criança, diz: "Chupa!'', E dispara. A criança cai com um rombo na nuca.

Não foi Chitheya a única vítima tratada assim; várias outras tiveram a mesma sorte”.

E as cenas de morte continuaram até ao anoitecer, até que a soldadesca cansada de sevícias, ou talvez porque já não encontrando ninguém em quem exercê-las, resolveu regressar aos quartéis.

Eu, não estava lá. Não me é contudo difícil imaginar o solo das povoações de Wiriamu, Chawola e Juwau. Devia assemelhar-se a um circo romano cheio de cristãos dilacerados pelos leões.

Quantos homens, mulheres e crianças terão sido massacrados pelas tropas portuguesas com a ajuda da Pide nestas três localidades? Ninguém saberá ao certo mas, entre os que foram identificados, isto é, aqueles que não ficaram de todo irreconhecíveis, contaram-se cerca de duas centenas, mas o povo daquela zona disse, segundo o padre Hastings narra no seu livro, que os mortos teriam ultrapassado os quinhentos.

Identificados foram: Chawola / Mwataika (mulher de Chawola) / Chavier (jovem irmão de chawola / Mixoni / Firipa (mulher de Mixoni) / Luciano (filho de Mixoni) Rita (filha de Mixoni) / Irisoni / Soza (mulher de Irisoni) / Líria (mulher de trisoni) / Posi (filha de Irisoni, 1 mês) Chinai (filho de Irisoni, 8 anos) Tsapwe (filho de Irisoni, 9 anos) Luzia (filha de Irisoni, 9 anos) / Chipiri filho de irisoni, 8 anos) / Remadi (filho de Irisoni, casado) / Luísa (mulher de Remadi) / Manuel (filho de Remadi, um ano) / Akimo / Joana (mulher de Akimo).

Como é uma lista demasiado longa, a partir daqui, irei limitar-me aos nomes e à idade, deixando de lado o parentesco que iria, sem grande proveito para os factos narrados, aumentar muito estas linhas, são famílias numerosas que em certos casos não escapou qualquer sobrevivente. Todos os que a idade não é mencionada são adultos.

Na continuação da lista podem ler-se mais os seguintes nomes:

Birifi / M'balanyama / Kapnu, 7 anos / Mataka, 9 anos / Batista / Asseria / Makau, 8 anos/ Sabudu, 3 anos / Mdeka / Firipa / Adamu, 10 anos / Mchenga / Chifanikiso, 3 anos / Kunesa/ Julio,15 anos /Marko / Pinto, 11 anos / Mayesa, 9 anos / Kundani / Djipi, 9 anos / Nsembera / Pita.

Todos os cadáveres acima identificados foram encontrados no pátio de Chawola.

Identificados em Wiryamu e Juwau contam-se:

Dzedzereke / Mafita / Kufuniwa, adolescente / Birista / Luwo, 2 anos / Lekerani / Sinoria / Chamdindi / Nguiniya / Firipi / Bziyese/ Feta, 4 anos / Meza, 1 ano / Thangweradzulo, adolescente / Zerista / Bwezani / Aqueria / Kapitoni / Bunitu / Mamaria / Tinta / Chawene, 2 anos / Chinai, 4 anos / Kuoniwa, 12 anos / Lyanola / Djmuse / Julina / Djipi, 9 anos / Alista / Mtsimpho / Nsemberembe, 9 anos / Vira / Thomasi/ Arteênsia, 13 anos / Duwalinya / Sadista / Florinda / Siria / Saizi / Maviranti / Domingos, 5 anos / Maloza / Sedéria / Mboi, 6 anos / Gwaninfuwa / Kachigamba, 4 anos / Kuchupika / Manyanyi / Malapata / Círio, 5 anos / Kutongwa / Maria / Olinda (rapaz, 10 anos) / Laynia / Luwina / Aluviyana / Kuitenti / Caetano, 5 anos / Kuchepa, rapaz 12 anos / Bziuzeyani / Djinja / Alufinati / Zabere, rapariga, 14 anos / Aesta, 16 anos / Rosa, 1I5 anos / Zaveria, 16 anos / Alista, 14 anos / Mbiriyadende / Guidéria / Kembo / Kamuzi, 2 anos / Chinthea, 4 anos / Sunturau / Dziwani, 12 anos / Zeca, 12 anos / Magreta / Dinho, 2 anos / Hortência / Mário, 10 anos / Chuva/ Kirina / Fuguete / Rita, 4 anos / Eduardo, 7 anos / Tembo, 3 anos.

Toda a extensa lista acima descrita foram mortos por fuzilamento.

Morreram queimados dentro das cubatas, entre outros, os que se seguem:

Ckupendeka, homem velho / Bwambuluka, mulher velha / Kulinga / Naderia / Luwa, 2 anos / Marialena, 4 anos / Tembo 4 meses / Keresiya / Joaozinho, 2 anos / Malota, 2 meses / Kamchembere, rapariga, 1 mês / Massalambani, 6 anos / Chinai, 5 anos / Domingos, 5 anos / Mboi, rapariga, 10 meses / Chiposi, rapariga, 3 anos / Augusto, 1 ano / Farau, 2 meses / António, 6 anos / Anguina / Jantar/ Luisa, 4 anos / Matias, 2 anos / Nkhonde, 1 ano / Kanu, 7 anos / Djoni / Chawene, 4 anos / Lodyia / Mário, 5 anos / Fostina / Rosa, 4 anos / Maria, 2 anos/ Boy, 3 anos.

Crianças mortas por arremesso ao solo ou contra as árvores, entre outras, morreram assim:

Domingos, 1 mês / Xanu, 2 anos / Kulewa, rapaz, 3 anos / Chipiri, 2 anos / Chuma, 4 anos / Makonde, 2 anos / Marko, 1 ano/ Luisa, 4 anos / Mário, 4 anos / Raul, 4 anos.

Mortas depois de violadas foram:

Duzéria / Cecília / Faliosa / Domina.

Depois desta longa lista de assassinados, que muitos pretenderão talvez esquecer, que comentários poderá fazer quem foi ou vai ser confrontado com ela? Será que as palavras de Jaime Neves, coronel, comandante durante vários anos do Regimento de ''Comandos”, proferidas em 2 de Fevereiro de 1976: ''Nunca houve guerra sem mortandade. O mal é da guerra!... e de mais ninguém2 podem explicar, de algum modo, a sanha assassina dos intervenientes da chacina de Wiryamu?

Eu penso que não. O que se passou em Wiriamu, talvez com os "'Comandos" a berrar o grito de guerra: "MAMA SUME”i, não foi guerra, foi assassinato!... Mas a história, que é inexorável, se encarregará de julgar.

Artigo publicado na revista Versus nº 7 25-06-1984 a 25-07-1984 (páginas 11 a 16). Aceder aqui ao artigo original.

* António Carmo Vicente - Sargento Mor Paraquedista, Militar de Abril, dirigente da ADFA - Associação de Deficientes das Forças Armadas. Escritor. Entre as obras publicadas encontram-se: Gadamael - Memórias da Guerra Colonial. Edição: Diversos, abril de 1982; Eu vi as Várias Faces da Morte. Edições Caso, 1987; A sentença (conto), 1981; Lourenço. Editora: A Chave, 1989; A Velha Locomotiva (História Infantil). Ilustrações de Hipólito Clemente. Editores: A Regra do Jogo, 1986; Grades de Novembro (poesia), 1979; Era uma vez...3 guerras em África, Edições Ró, 1981 (com Josué da Silva e António Marques); Gritos de Guerra (poesia). 1979 (com António Calvinho, Manuel Geraldo e Gabriel Raimundo).


Livros consultados para a feitura deste artigo:
— WIRYAMU de Adrian Hastings (edições Afrontamento)
— Massacres na Guerra Colonial (edições Ulmeiro)

i “MAMA SUME” é o grito de guerra dos "Comandos". É uma palavra do latim e quer dizer: "MÃE SUPREMA" ou, neste caso, talvez "MÃE PÁTRIA".

AnexoTamanho
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(...)

Resto dossier

(1964), "“Guerra Colonial”: exército português em operações.", Fundação Mário Soares / AMS - Arquivo Mário Soares - Fotografias Exposição Permanente, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114094

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