Está aqui

Um combate pela Liberdade

Oriundo dum país colonizado, participei desde jovem no combate contra o domínio colonial e pude assistir ao fim dessa dominação sobre a maior parte da Humanidade de então. Por Adolfo Maria.
Foto tirada em Novembro de 1973 na Base Esperança da 2ª Região Político-Militar do MPLA. Na imagem surgem dois guerrilheiros, o comandante Dimbondwa (com a enxada na mão), já falecido, Gentil Viana, também já falecido e Afonso Maria..

 

Um final traduzido na emergência de dezenas de estados independentes que passaram a fazer parte do concerto das nações. Também vivi os problemas da pós-colonização e procuro dar a minha contribuição na procura das necessárias vias para o progresso de Angola e do continente africano.

 

A luta contra a dominação colonial e pela liberdade

Nasci em 1935 em Luanda e cresci observando a consolidação da dominação colonial portuguesa e a sua consequente violência.

No geral, a dominação colonial europeia no Mundo era caracterizada por:

- apropriação das terras dos autóctones
- imposição do trabalho obrigatório em fazendas, minas e obras públicas
- imposição do cultivo de produtos em favor das grandes companhias
- leis e práticas discriminatórias sobre os autóctones
- violência repressiva
- negação das culturas autóctones
- despersonalização do colonizado

Em Angola, tudo isto existia e materializava-se particularmente:

- num Estatuto dos Indígenas abrangendo a quase totalidade dos autóctones, negando-lhes a cidadania
- uso maciço do trabalho forçado em fazendas de café, sisal, minas de diamantes, caminhos de ferro e obras públicas
- obrigação do cultivo de algodão a favor da Cotonang
- castigos corporais generalizados para os ditos indígenas

No final da minha adolescência, tinha escolhido o campo para agir: lutar pela independência de Angola e pela liberdade do povo angolano. Assim, participei nas três fases que caracterizaram a luta nacionalista angolana contra o colonialismo português: combate cultural na afirmação da identidade angolana e dos seus valores africanos; combate político através de grupos clandestinos que mobilizavam as populações para a conquista da independência; por fim, dada a obstinação do governo fascista português e a sua feroz repressão, o necessário combate armado. Mas a luta pela liberdade não se limitou ao combate contra a dominação colonial. Realizou-se também dentro do movimento nacionalista contra poderes arbitrários e pela democracia.

Resumirei os principais momentos de toda essa luta que empreendi com muitos outros companheiros.

Desde finais dos anos 40 do passado século - através de actividades culturais: revista “Mensagem”, jornal “Cultura”, recitais de poesia, música angolana urbana (“N’Gola Ritmos”), recitais de poesia - assistia-se em Angola à afirmação duma identidade angolana e de valores africanos a contrapor à dominante cultura do colonizador.

Em meados dos anos 50 surgiram grupos políticos clandestinos que se multiplicaram a partir de 1958. Eram diversos na sua composição, ideologia e propósitos políticos - expressos nos panfletos difundidos - mas todos eles incitando à independência de Angola. A polícia política portuguesa, PIDE, recentemente instalada em Luanda, ia fazendo a sua investigação e, a partir de Março de 1959, desencadeou uma onda de detenções que, durante esse ano, levaram centenas e centenas de nacionalistas à cadeia de S. Paulo, acabada de construir para o efeito. Cerca de cinco dezenas viriam a ser julgados e condenados a vários anos de prisão. Mais tarde foram transferidos para o campo de concentração do Tarrafal.

Nesse combate cultural dos anos 50 e depois político, eu também estava empenhado. A partir de 1957, fui um dos dirigentes do Cineclube de Luanda e da Sociedade Cultural de Angola onde era membro do corpo redactorial do Jornal “Cultura”. Na luta política fui membro das organizações clandestinas: o segundo PCA (Partido Comunista Angolano) e o MLNA (Movimento de Libertação Nacional de Angola), tendo sido preso pela PIDE portuguesa em 1959. A partir de 1961 fui redactor do diário vespertino ABC, que, nessa época, era muito lido pela população africana e muito castigado pelo gabinete de censura governamental.

No início de 1961 começam as acções directas nacionalistas: em Janeiro, revolta dos camponeses da baixa de Cassanje; em 4 de Fevereiro, ataque armado às cadeias para libertar os nacionalistas aí encarcerados; Em 15 de Março, violenta rebelião armada no Norte de Angola que atingiu fundamentalmente os proprietários de fazendas de café e suas famílias e que fez desencadear a maciça repressão militar portuguesa, dando início à chamada guerra colonial. Dois movimentos nacionalistas, UPA e MPLA, conduziam as acções militares e travavam feroz disputa entre si para obter a primazia no terreno e na arena internacional.

No interior do país, nos anos seguintes, a PIDE continuaria a prender nacionalistas, torturá-los e enviá-los para os campos de concentração, entretanto criados no extremo sul de Angola: Missombo e S. Nicolau.

Parti para o exílio em 1962 para me juntar às forças nacionalistas. Em Janeiro de 1963, poucos meses depois da independência da Argélia, cheguei à capital desse país. Argel fervilhava de ideias e militantes revolucionários de todo o Mundo. Aí, em 1964, fui um dos fundadores do Centro de Estudos Angolanos, que forneceu ao MPLA documentação sobre o aparelho colonial em Angola, manuais de formação política, um Manual de Alfabetização e respectivo Manual do Alfabetizador, assim como uma História de Angola e um Manual de Geografia para o ensino primário.

Transferido, em 1969, para a Segunda Região Político-Militar do MPLA, dirigi a Rádio “Angola Combatente” e, temporariamente, o Departamento de Informação e Propaganda. Nas bases militares dessa Região, participei na formação política dos guerrilheiros.

Em 1974 participei na criação de uma tendência do MPLA, chamada “Revolta Activa”, que reivindicava a democratização do Movimento e novas estratégias, pois o Movimento tinha sofrido sérios revezes militares e estava profundamente desorganizado e enfraquecido. Quando se dá a revolução de 25 de Abril em Lisboa, que abre o caminho à descolonização por Portugal, o MPLA estava dividido em três facções: a da Direcção, a Revolta Activa e a Revolta do Leste. As tentativas de reunificação, através dum congresso em Lusaka, falharam. A partir daí a facção da Direcção presidida por Agostinho Neto encetou a sua caminhada para o poder na Angola independente; primeiro fazendo as tréguas com as Forças Armadas portuguesas; depois assinando os Acordos de Alvor que estabeleciam as vias e prazo para a outorga da Independência, acordos firmados em Janeiro de 1975 entre o governo português e os movimentos nacionalistas angolanos: o MPLA, a UPA-FNLA e a UNITA. Cedo os três movimentos se envolveram em luta armada que acabou com a vitória do MPLA o qual proclamou a independência, em Luanda.

Entretanto, o regime instalado em Angola com a independência era baseado no partido único e violentamente repressivo. Em 13 Abril de 1976, cinco meses depois da proclamação da Independência de Angola, a direcção do MPLA decidiu prender vários membros da Revolta Activa, entretanto extinta. Consegui esconder-me e viver quase três anos em clandestinidade, dos quais dois sozinho num pequeno apartamento, tendo tuberculizado. Após a amnistia presidencial, em Setembro de 1978, a minha mulher escreveu ao presidente informando-o que eu estava vivo. A polícia política do regime, a DISA, pôs-me em detenção domiciliária, guardado em permanência durante cerca de dois meses e submetido a interrogatórios. Depois, pôs-me alguns dias na Casa da Reclusão, no forte do Penedo. Para nós, nacionalistas, essa cadeia era um forte duplamente simbólico: nele estiveram encarcerados os nacionalistas presos pela PIDE portuguesa em 1959 e ele fora o alvo do ataque de 4 de Fevereiro de 1961 para libertar esses presos. Agora, o forte servia para combatentes da liberdade serem aí encarcerados pelos seus próprios companheiros, tornados dirigentes do país independente. Nessa cadeia conheci presos adeptos de Nito Alves que, depois do golpe de 27 de Maio de 1977, fora fuzilado com outros dirigentes, numa onda de repressão que durou dois anos e fez milhares de mortos.

Seguidamente fui metido num avião e expulso para Portugal, em finais de Janeiro de 1979. Neste país, com Gentil Viana e Mário de Andrade, formámos um Grupo de Reflexão que procurava vias para o fim da guerra civil em Angola e que fez vários contactos diplomáticos e políticos nesse sentido.

A guerra civil, iniciada ainda antes da independência, continuou pouco depois tendo como protagonistas o MPLA, instalado no poder, e a UNITA; uma guerra civil que durou até 2002 e que teve um breve interregno (1991 e 1992), entre a assinatura dos acordos de Bicesse e a realização das primeiras eleições em Angola.

Depois dos acordos de Bicesse entre o MPLA e a UNITA, voltei livremente a Angola, em fins de 1991 e Maio de 1992, acompanhando Gentil Viana na apresentação do seu plano de convivência nacional a partidos e personalidades, tendo sido recebidos pelo presidente da República.

Após o recomeço da guerra civil renunciei a qualquer iniciativa de carácter político e continuei a residir em Portugal, mas mantendo estreito contacto com Angola e sobre ela me debruçando continuamente. Forneci testemunhos para a série documental ”A Guerra” da RTP e para a recolha gravada em vídeo da Associação Tchyweka sobre a luta pela independência. Também meus testemunhos e análises foram publicados no livro ANGOLA NO PERCURSO DE UM NACIONALISTA – CONVERSAS COM ADOLFO MARIA, de Fernando Pimenta. Tenho participado em colóquios com comunicações sobre África e Angola; faço parte do painel de comentadores do programa radiofónico “Debate Africano” da RDP África e escrevo regularmente para o blog angolano “Vivências Press News” e esporadicamente para jornais angolanos.

Tudo isto se insere na continuação da minha luta pela liberdade e progresso do povo angolano. Do mesmo modo os livros que tenho publicado: Em 2014, ANGOLA – SONHO E PESADELO onde descrevo a terrível experiência vivida de 1976 a 1979, quando escondido da polícia política, DISA. Seguiu-se o romance NA TERRA DOS TTR, uma alegoria do país e do regime político naquele tempo. Publiquei em 2015, ANGOLA - CONTRIBUTOS À REFLEXÃO, compilação de textos sobre temas históricos, políticos, económicos, sociais, de cidadania e de cultura. Em Março de 2016, o romance NAQUELE DIA NAQUELE CAZENGA. Em Outubro desse ano editei ANGOLA NO TEMPO DA DITADURA DEMOCRÁTICA REVOLUCIONÁRIA - POEMAS DO AUTO-CÁRCERE, constituído pelos numerosos poemas que fizera no já referido período de clandestinidade, fugido da repressão do pós-independência. Em 2018 publiquei o livro de poemas feitos nos últimos anos, neste exílio em Portugal, e com o título O QUE FALTA. Em Março de 2019, publiquei ANGOLA, A HORA DA MUDANÇA, uma colectânea de textos sobre a realidade angolana nos seus vários aspectos, e temas de carácter histórico e cultural.

A luta pela liberdade no pós-colonial

A luta contra a dominação colonial e pela independência nacional é um elemento necessário e fundamental do combate pela liberdade dos povos e dos indivíduos, mas não é suficiente. Liberto do domínio estrangeiro, há que ser livre no próprio país.

Verifica-se muito frequentemente que, no após independências, as aspirações populares são goradas pela vertigem do poder das elites que capturam o Estado para enriquecer e, através de um poder hegemónico, recorrem muitas vezes a populismos, a apelos étnicos e raciais que chegam a conduzir a guerras civis com terríveis consequências políticas, económicas e sociais: desestruturação da economia, migrações, miséria, profunda exclusão social, perda de valores éticos, desmobilização dos espíritos e vontades, degradação da cidadania.

A luta pela liberdade implica, então, um combate multiforme para a emergência de sociedades civis mais exigentes; permanente afirmação dos direitos humanos; avanços para regimes democráticos; criação de condições económicas, sociais e políticas para eliminar as profundas desigualdades sociais.

Adolfo Maria, 2017.

Em conclusão, direi que:

- na minha vida, vi os malefícios da dominação colonial, lutei contra ela, pude assistir à emancipação política de mais de dois terços da população mundial da Ásia e de África. Entreguei-me inteiramente ao combate cultural, político e armado contra o colonialismo português, pela independência de Angola

- vivi e sofri com os erros políticos das elites que tomaram o poder nos novos países independentes, assisti e assisto à recuperação do tempo perdido, nos campos político e económico, e vou pugnando para que se passe à correcção das gritantes desigualdades sociais no meu país e em África

- em Angola e no exílio, em Portugal, pude verificar como é complexa a percepção do outro e quanto é necessário um incessante combate pela abolição de ideias racistas e xenófobas

- através de acções, atitudes, palestras, escritos (de que este é exemplo) dei e continuo a dar a minha contribuição para que se realize a plena democratização do meu país e, em toda a parte, se desenvolva a plena cidadania, a aceitação do outro, a eliminação de barreiras entre os povos.

Adolfo Maria

27-09-2019

(...)

Resto dossier

(1964), "“Guerra Colonial”: exército português em operações.", Fundação Mário Soares / AMS - Arquivo Mário Soares - Fotografias Exposição Permanente, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114094

As feridas abertas da Guerra Colonial

A Guerra Colonial durou mais do dobro da Segunda Guerra Mundial e fez milhares de mortos portugueses e africanos. Urge quebrar o silêncio e desconstruir os mitos em torno deste conflito e do passado colonialista de Portugal. Assim como é imperativo dar visibilidade e garantir direitos às suas vítimas. Dossier organizado por Mariana Carneiro.

A velha questão da política e da guerra, a propósito das mágoas do fim do império

As forças armadas portuguesas fizeram em abril de 1974 o que as eleições fazem (ou podem fazer) nos regimes democráticos: o corte com uma solução inviável, demasiado custosa e que se tornara anacrónica. Por Carlos Matos Gomes.

Hastear da bandeira da Guiné Bissau após o arrear da de Portugal em Canjadude. Foto (original a cores) de João Carvalho, Wikimedia - domínio público.

Da guerra colonial às independências africanas

A constituição de Estados-nação cujas independências se afirmaram contra a dominação colonial produzirá um contexto marcado pela tensão entre a herança colonial e a celebração das possibilidades para novos começos. Por Bruno Sena Martins e Miguel Cardina.

Mural em batepá. Foto de Inês Nascimento Rodrigues.

O "Massacre de Batepá" em São Tomé e Príncipe: ecos desde 1953 à atualidade

Tendo-se desenrolado em 1953, anos antes da eclosão das guerras coloniais e de libertação, o "Massacre de Batepá" demonstra como o recurso à violência física (e simbólica) não foi uma exceção na gestão e domínio dos territórios colonizados por portugueses. Por Inês Nascimento Rodrigues.

Massacre de Pindjiguiti, Bissau. Reprodução.

3 de Agosto de 1959, Massacre de Pindjiguiti, Bissau

Marinheiros, estivadores e trabalhadores das docas foram violentamente reprimidos por funcionários coloniais, polícia e militares, e alguns civis, repressão esta que viria a resultar em cinquenta mortos e cerca de uma centena de feridos. Por Sílvia Roque.

Massacre de Mueda. Foto publicada na página de internet do Governo da Província de Tete.

16 de Junho de 1960. Massacre de Mueda, Moçambique

Portugal no seu todo muito simplesmente não tinha percebido que já se estava nos anos sessenta. Dez ou seiscentos mortos, o significado político de Mueda não muda, abriu uma nova era. Por Michel Cahen.

Wiriamu: O massacre esquecido

O massacre de que vos quero falar aconteceu connosco. Os intervenientes eram portugueses. Aconteceu em Moçambique. E é estranho que já ninguém pareça recordar-se dele: é incómodo e por isso tenta-se esquecê-lo. Por Carmo Vicente.

Amílcar Cabral - Foto wikipedia

Amílcar Cabral: Libertação nacional e cultura

O domínio “só se pode manter com uma repressão permanente e organizada da vida cultural desse povo [o povo dominado], não podendo garantir definitivamente a sua implantação a não ser pela liquidação física de parte significativa da população dominada”. Por Amílcar Cabral.

Socorristas num posto sanitário simples e descartável aquando de ameaças de bombardeamento aéreo.

O Sector da Saúde na Luta de Libertação da Guiné-Bissau

Não se pode deixar de valorizar, e com vénia, a dedicação, o empenho e a solidariedade de todos quantos se prestaram a esse esforço, sem salários nem qualquer tipo de compensação! Que pena não poder citar os nomes de todos eles. Por Manuel Boal.

Um combate pela Liberdade

Oriundo dum país colonizado, participei desde jovem no combate contra o domínio colonial e pude assistir ao fim dessa dominação sobre a maior parte da Humanidade de então. Por Adolfo Maria.

Margens do rio Onzo, Angola. Foto Wikipedia.

Crescer em tempo de guerra

Há ainda um longo caminho a percorrer, para que se acalmem as guerras da memória, quer as que perturbam o trabalho dos historiadores, quer as que se travam na memória daqueles que as viveram. Por Diana Andringa.

Lourenço Marques, atual Maputo, nos anos 50: Uma cidade colonial. Foto publicada em https://delagoabayworld.wordpress.com

Moçambique, final dos anos cinquenta

Era estranha esta invisibilidade dos indígenas, a sua quase não humanidade. Uma imensa maioria, 98 % da população, e eram como que inexistentes, surgiam silenciosamente quando necessários e desapareciam quando desnecessários. Por Helena Cabeçadas.

José Bação Leal: “Tentarei o canto mesmo de gatas”

Neste artigo, no qual reproduzimos, na íntegra, o documentário “Poeticamente Exausto, Verticalmente Só - A história de José Bação Leal”, um jovem e promissor poeta, falecido em Moçambique durante a guerra colonial, a realizadora, Luísa Marinho, explica o que a levou a desenvolver este projeto.

A deserção colectiva de 10 ex-oficiais-alunos da Academia Militar

Devo começar por dizer que se trata da mais importante deserção colectiva organizada durante os 14 anos de duração da guerra em África. Não apenas pelo número de elementos nela envolvidos mas também por outras razões que dela fazem um acontecimento singular. Por Fernando Mariano Cardeira.

Comandos Africanos: “Os portugueses traíram-nos, fomos abandonados sem piedade”

Mário Sani é um dos mais de 600 Comandos Africanos das Forças Armadas portuguesas na Guiné que Portugal abandonou à sua sorte, depois de a colónia que explorava ter conquistado a independência. Por Sofia da Palma Rodrigues.

Ponte Aérea Luanda-Lisboa. Fotografia reproduzida em Júlio Magalhães, Os Retornados. Um Amor Nunca se Esquece (Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008), p. 119.

Descolonização e retorno à antiga metrópole: a memória difícil do fim do império

Guerra colonial, descolonização e retorno de África, uma herança que ainda aguarda por uma plena inscrição no discurso da história e da memória do Portugal contemporâneo. Por Elsa Peralta.

Foto de Barnabé Freixo, Flickr.

“É urgente tirar filhos de militares portugueses da invisibilidade”

Catarina Gomes, jornalista, e autora do livro Furriel não é nome de pai, defende que é preciso romper com o “silêncio social” em torno deste assunto e reconhecer a cidadania portuguesa aos filhos que os militares deixaram na Guerra Colonial. Entrevista conduzida por Mariana Carneiro.

ADFA assumiu-se como a "força justa das vítimas de uma guerra injusta"

No dia em que se assinalou o 45º aniversário da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, o esquerda.net publicou uma entrevista com o Coronel António Calvinho, militar de Abril, fundador e ex-presidente da direção da ADFA. Por Mariana Carneiro.

Estilhaços de uma guerra maldita

Em novembro de 1970, o meu pai foi evacuado de Mueda para o Hospital Militar Principal, em Lisboa. Parte do seu corpo ficou em Moçambique. Consigo trouxe a certeza de que era preciso acabar com a guerra. E trouxe estilhaços, com os quais eu cresci. Por Mariana Carneiro.

Imagem que figura na capa da última edição do livro Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz.

“Esta é uma guerra que, entre nós, nunca existiu”

Para que a memória não se apague, e para desconstruir alguns dos mitos que ainda persistem sobre a Guerra Colonial, vale a pena (re)visitar o livro “Nó Cego”, de Carlos Vale Ferraz. A nova edição desta obra foi apresentada em Lisboa e sobre ela conversaram o autor, António-Pedro Vasconcelos e João de Melo. Por Mariana Carneiro.

Racismo institucional, legado do colonialismo

Passados mais de 45 anos das independências das nações ocupadas por Portugal, o colonialismo continua vivo, sendo o racismo o seu maior legado. Por Beatriz Gomes Dias.

“É preciso romper com o mito de que fomos bons colonizadores”

André Amálio tem-se dedicado ao teatro documental sobre o passado colonial português. O fundador da companhia de teatro Hotel Europa defende que “o sector cultural tem que estar na vanguarda destas mudanças, trabalhando ao lado de outro tipo de agentes que estejam a refletir sobre estas temáticas na nossa sociedade”. Entrevista conduzida por Mariana Carneiro.

AFONSO, Aniceto; GOMES, Carlos de Matos Gomes. Guerra Colonial. Edição: Editorial Notícias, abril de 2000

Guerra Colonial na Literatura e Cinema

Neste artigo disponibilizamos uma seleção de filmes, documentários, séries, livros e artigos sobre a Guerra Colonial ou relacionados com esta temática. Por Mariana Carneiro.