Os trabalhadores dos consulados estão em greve nesta Quinta feira. Protestam por atraso nas actualizações salariais e contra a tentativa do governo de os afastar da função pública, ficando dependentes de regras de contratação locais dos países onde estão os consulados. A greve está a ter boa adesão, segundo o sindicato dos trabalhadores consulares e das missões diplomáticas (STCDE).
O STCDE convocou a greve porque o governo pretende excluí-los da função pública, passando a ficarem dependentes das leis e dos regimes disciplinares e de segurança social dos países onde estão os consulados. Os trabalhadores protestam ainda contra a avaliação de desempenho e contra os baixos aumentos salariais.
Com a alteração da lei de vínculos da função pública, proposta pelo governo e aprovada pelo PS, os trabalhadores consulares deixaram de estar incluídos na função pública, sendo o seu estatuto negociado caso a caso.
Segundo o sindicato "com a nova legislação em vigor para a Função Pública, o Governo pretende 'chutar' estes trabalhadores para um 'limbo legal' a que o sindicato já chamou de 'off-shore Laboral', sem vínculo ao Estado e sem o direito laboral e social português, remetendo para leis locais que nalguns países ninguém sabe quais são, como decorre de um projecto já aprovado em Conselho de Ministros para o pessoal dos Centros Culturais do Instituto Camões. A 'grande reforma' aqui, trata-se do puro e simples regresso ao passado".
O STCDE prevê que a greve tenha uma boa adesão, tendo o secretário-geral do sindicato, Jorge Veludo, declarado à Lusa: "As previsões são francamente animadoras. Em França não haverá quase nada aberto, à excepção de Paris, que deverá ter um ou dois funcionários a trabalhar. Não haverá serviços consulares em Espanha, Andorra e Canadá e estarão encerrados a maioria dos postos nos Estados Unidos e os maiores consulados no Brasil".