À medida que o tempo passa e a ciência se desenvolve, são requeridas novas competências às profissões. Na Enfermagem, isto não é excepção.
Artigo de Adriana Lopera
Em Portugal nos finais do século XIX, nos hospitais, quem prestava cuidados de enfermagem eram empregadas, mal remuneradas e sem preparação específica, trabalhavam 24 horas por dia, estavam ao serviço do hospital e tinham inúmeras tarefas: vigiavam os doentes, davam-lhes banho, comida, terapêutica, faziam as camas, assistiam à visita médica (para fazer o relatório de como o doente se encontrava), faziam pensos e conferiam material cirúrgico e roupas1.
À medida que o tempo passa e a ciência se desenvolve, são requeridas novas competências às profissões. Na Enfermagem, isto não é excepção. Também a Enfermagem sofreu várias alterações nas suas funções até hoje.
Sendo a Enfermagem uma profissão de ajuda, a/o Enfermeira/o desenvolve competências nessa área, facilitando a compreensão dos problemas da pessoa (doente ou não) e da família, no seu ciclo vital, saber dos seus valores, atitudes e posturas e ajudá-los a mobilizar os seus recursos e potencialidades na saúde e no tratamento. Hoje em dia as/os profissionais de enfermagem desenvolvem funções em diferente áreas como: prestação de cuidados, educação, formação, gestão, psicologia, assistência social e investigação, como também notou Joaquim Letria.
Esta tentativa de resumo do que é ser enfermeira hoje, parece ser tudo e nada: "O que significa qualidade do exercício da Enfermagem cujo conteúdo é tão diverso, tão pouco observável e tão pouco aparatoso, uma vez que é constituído por inúmeras (pequenas coisas), cada uma das quais, por muito secundária que pareça face ao absoluto, ou de um ponto de vista geral, tem um peso tão grande na balança quando diz respeito à vida e ao futuro de uma pessoa?"2.
Mas o que são estas "pequenas coisas"? É o que faziam as enfermeiras do século XIX?
Também é, continuamos a dar banhos, comida, a fazer camas, pensos, conferir material cirúrgico, dar terapêutica, mas actualmente fazemos mais e melhor. Ser enfermeira/o exige conhecimentos teóricos , os cuidados prestados têm de ser teoricamente fundamentados, para isso somos licenciados com um curso de 4 anos. Hoje tratamos da pessoa enquanto ser holístico, tendo em conta o "todo", a sua situação psicológica, fisiológica, social, e cultural e encaminhamos as potencialidades da pessoa para a sua recuperação e para o aumento da sua qualidade de vida. Hoje estamos treinados para a prática de várias técnicas, como entubação, canalização de veias, tratamento de feridas, realização e interpretação de electro-cardiografia, fazemos partos, realizamos e interpretamos cardio-tocografia, reanimamos...
Mas sobretudo, os cuidados de Enfermagem enquadram-se numa forte acção interpessoal, pelo que o desenvolvimento de competências na área relacional e comunicacional é uns dos factores fundamentais da prática de enfermagem de hoje.
Artigo de Adriana Lopera para esquerda.net
1 Ferreira 1990
2 Hesbeen (2001:37)