Madalena Barbosa foi fundadora, em 1974, do Movimento da Libertação das Mulheres, a primeira associação feminista em Portugal. Foi também das primeiras mulheres a empenhar-se activa e publicamente na luta pela despenalização do aborto e fez parte da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Na sexta-feira às 16h, parte o seu corpo da casa mortuária Santa Joana (Av. EUA) para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado pelas 23h. Também no mesmo dia, às 18h, é-lhe prestada homenagem no lançamento do seu livro - Que força é essa - na Fábrica de Braço de Prata, Poço do Bispo. Leia o texto de homenagem de Manuela Tavares.
Madalena Barbosa, fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres e uma das mais destacadas feministas portuguesas, morreu esta quinta-feira, vítima de doença prolongada.
O destaque que protagonizou no feminismo português não se traduziu tanto no seu reconhecimento e notoriedade públicas, que ela aliás nunca aceitou, ou honrarias que nunca desejou, mas sim por ser uma referência de vulto para todas as correntes feministas portuguesas.
Madalena Barbosa participou na famosa manifestação feminista do Parque Eduardo VII a 13 de Janeiro de 1975, o primeiro acto simbólico deste tipo em Portugal. Teve seis filhos e foi uma inconformada activista pela despenalização do aborto, tendo inclusivamente participado em diversas reuniões do movimento feminista em Inglaterra, sobre este tema.
Foi também fundadora do IDM (Informação e Documentação sobre Mulheres) e da Cooperativa Editorial Mulheres, os primeiros centros de documentação de cariz feminista em Portugal, e cujo espólio foi entregue à UMAR em 2006. Deu um contributo fundamental para a leitura em Portugal de textos e posições das mais diversas correntes do feminismo internacional e que alicerçaram o pensamento feminista.
Em 1978 foi igualmente fundadora, com Cabral Fernandes e outras personalidades da esquerda alternativa portuguesa, do Movimento pela Contracepção e Aborto Livre, que viria depois a originar a CNAC (Campanha Nacional Aborto e Contracepção).
Foi dirigente do Bloco de Esquerda e também quadro superior da Comissão para a Igualdade das Mulheres. Perante o poder, o status-quo, nunca deixou de avançar as suas ideias e de mostrar o atraso na defesa dos direitos das mulheres, de denunciar o seu incumprimento ou de mostrar como todos os organismos, pretensos defensores das mulheres, estavam longe da sua missão.
Na sexta-feira, é-lhe prestada homenagem no lançamento do seu livro "Que Força é essa", na Fábrica de Braço de Prata às 18h.