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50 mil professores resistem à chantagem, diz Fenprof

professores_luta.jpgEntre 50 a 60 mil docentes não vão entregar os objectivos individuais, desobedecendo às indicações do Ministério da Educação. A estimativa é da Fenprof, que garante que nas escolas em que o prazo para entrega deste documento já terminou, 40 a 50% dos professores recusou ceder à chantagem do governo. "O modelo de avaliação do Governo está desacreditado e não é nada", remata Mário Nogueira  

O Ministério da Educação tem insistido que a entrega dos objectivos individuais é um passo obrigatório do modelo de avaliação de desempenho em vigor. Mas este entendimento tem sido contestado por sindicatos e movimentos de professores, que alertam para a ausência de qualquer referência a esse procedimento no Estatuto da Carreira Docente. Nesse sentido, movimentos e sindicatos têm apelado à desobediência dos professores, o que tem surtido efeito em muitos casos, como em Vila Real, onde de acordo com o movimento Promova cerca de 80% dos professores recusaram entregar os objectivos.

Esta quinta-feira, em conferência de imprensa, a Fenprof estimou que entre 50 a 60 mil professores não vão entregar os objectivos individuais. Ainda não é possívvel uma contabilidade rigorosa dado que, de acordo com a estrutura sindical, apenas em um terço das escolas o prazo para entrega do documento expirou. Nestas, entre 40 a 50 % dos professores não terão entregue os objectivos.

Em relação aos professores que cederam na entrega dos objectivos, Mário Nogueira sublinha que tal não se deve a um súbita concordância com o modelo de avaliação imposto pelo governo, mas sim ao medo e à chantagem. "O medo é hoje a razão principal pela qual muitos professores estão a entregar os objectivos individuais", criticou o sindicalista, depois de "saudar os que resistiram".

"O clima de terror e medo para atingir fins políticos não é próprio de um regime democrático", reforçou Nogueira. Para o dirigente sindical, o facto de 50 a 60 mil professores não entregarem os objectivos mostra que "o modelo de avaliação do Governo está desacreditado e não é nada". A Fenprof conclui mesmo que "a forma como quer impor a entrega dos OI confirma que esta avaliação não tem uma dimensão pedagógica mas castigadora".

Nogueira garante que a entrega dos objectivos individuais não é obrigatória por lei. "Accionaremos todos os mecanismos jurídicos e judiciais, recorrendo aos tribunais, se algum professor não for avaliado ou impedido de entregar a ficha de auto-avaliação por não ter entregue os objectivos individuais", disse.

A Fenprof lançou ainda algumas medidas de luta para o futuro. Entre elas destaca-se um cordão humano que ligue o Ministério da Educação, o Parlamento e a residência oficial do Primeiro Ministro.

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