Rui Pedro Moreira

Rui Pedro Moreira

Ativista laboral

Dependendo do ponto de partida da discussão, é possível que para muitos a inteligência artificial seja um dos caminhos para aumentar o fosso entre quem pouco tem e corre o risco de ainda ficar com menos, e quem já muito possui e vê neste modelo uma hipótese de engordar ainda mais.

Vivemos dias em que muitos se divertem a insistir que o único assunto que importa nas nossas vidas é sofrer a alegada angústia do senhor Luís Montenegro. Abram os olhos. Está na altura de não nos deixarmos influenciar por gente que tem o fascínio da manipulação.

Agora que é evidente que a direita governará o país é preciso, antes de mais, ter a informação na dose correcta e ganhar consciência do que poderá vir a acontecer. Pistas, no mínimo, existem.

No campo laboral, a MEO terá hoje cerca de 1/3 das pessoas que tinha em 2015 e se atendermos à valorização dos trabalhadores, bastará verificar que a Altice aumentará os seus trabalhadores em 1,6%, já considerado como o “pior acordo negociado em 2024”.

Já quase ninguém se lembra, mas foi em Portugal que se fez história, tornando-se o primeiro país do Mundo a legislar o teletrabalho. Regular são “outros quinhentos”.

Imaginem: São João, 11 da noite, estação da Trindade. Só uma saída e fiscais a cumprirem ordens, com polícia a vigiar. Os que não tinham validado a viagem eram mantidos de lado e identificados, autuados ali mesmo, no meio de enorme confusão. Agressões, empurrões, ânimos exaltados porque a multa não é pequena.

Fixem este nome: Armindo Monteiro. Já estava na estrutura da CIP mas virou comandante. Vai aparecer muito na televisão, habitar tudo o que for espécie de rádio, entrar de rompante pelas portas do poder e tentará evangelizar tudo o que forem cabecitas menos preparadas e mais egoístas.

Um qualquer aluno saído de uma escola de jornalismo, a iniciar carreira, terá (infelizmente) de fazer algumas cedências no actual quadro e enquadramento laboral, mas alguém com um passado deste, não devia, nem podia, ceder ao momento.

O tom mainstream é que os empresários portugueses fazem tudo o que está ao seu alcance para que a economia funcione. Farão mesmo? São assim tão altruístas como os "pintam"?

São avisos à navegação que sinalizam os indesejados improdutivos, os mal amados, as vítimas do mercado autorregulado da teoria liberal. Tudo isto é desnecessário: nem os portugueses merecem, nem os ucranianos precisam. Nem na perspectiva social, nem na laboral.