Nuno Pinheiro

Nuno Pinheiro

Investigador de CIES/IUL

A forma como os moradores do 2º Torrão têm sido tratados é inaceitável. Acabar com a herança do colonialismo começa por tratar estas pessoas com a dignidade que merecem, com os direitos que têm e que não são diferentes dos meus, dos nossos, ou dos da Presidente da Câmara.

A República Popular de Almada era uma espécie de piada às tradições de luta do maior concelho da Margem Sul e que, ao mesmo tempo está próximo e distante do Terreiro do Paço.

Este torrão não é de açúcar, esta história ainda não tem um final feliz, nem uma família foi realojada em condições aceitáveis. Mesmo que houvesse boas soluções para estas dezenas de pessoas, continua a haver milhares, naquele torrão esquecido.

Uma verdadeira reforma da administração pública significaria além de um Simplex que muitas vezes complica a vida dos cidadãos, a despartidarização de chefias e serviços, uma revisão dos modelos hierárquicos e de avaliação, além de uma revisão de carreiras.

Há uma continuidade de métodos que vai de Estaline a Putin, mas a natureza diferente dos regimes mantém-se problemática. As revoluções não se costumam fazer de forma pacífica, as contrarrevoluções também não.

Não serve de muito constatar as enormes disparidades, estas também sociais, dentro das escolas públicas, sem que se dê um apoio maciço às escolas públicas com maiores dificuldades.

Se o Padrão é a visão do Império criada pelo Estado Novo, falta uma visão moderna, uma visão menos centrada nos heróis e mais nas pessoas, nas sociedades, nos seus movimentos.

O Estado Novo tinha, como era tradicional, uma visão decadentista de Portugal. Mas, uma das falhas do regime democrático tem sido a dificuldade em romper com a visão do Estado Novo. Já Eduardo Lourenço falava na falta de descolonização interna.

A luta contra os movimentos de extrema-direita tem que ser de todos, das minorias que eles atacam, sim, mas também daqueles a que querem tirar direitos laborais, dos outros a quem querem impor a censura, dos a quem querem dificultar o acesso à escola, à saúde. É uma luta de todos.

Depois da extraordinária descoberta de que o nazismo tinha origem no marxismo, José Rodrigues dos Santos lança-se agora a uma nova descoberta. Afinal os campos de concentração, nomeadamente Auschwitz, não eram assim tão maus.