José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Na Palestina, como noutras partes do mundo, não há nenhum “conflito”, há uma ocupação. Não há “confrontos” entre israelitas e palestinianos, mas uma invasão bárbara à margem do direito internacional e um povo que resiste a ela.

Os salários teriam de crescer na mesma proporção da produtividade e da inflação para que pudessem ser protegidos. Ao rejeitar fazê-lo, a opção do Governo estabelece a marca inaugural da maioria absoluta: 2022 será um ano de empobrecimento para o trabalho e de maior rendimento para o capital.

Mais cedo que tarde, a bandeira arco-íris que já ocupa as ruas chegará também aos bafientos gabinetes do preconceito. E a cidade acabará por ter nela, orgulhosamente, mais um dos seus símbolos.

Em todas as leis, há um hiato entre o que está escrito e as práticas sociais. Em todas, há uma disputa sobre a interpretação das suas normas. Isso é diferente, todavia, de aceitar que a lei seja sabotada pelas próprias autoridades que estão obrigadas a zelar pelo seu cumprimento.

Que o governo insista que o melhor é “esperar que passe” corresponde a aceitar inscrever duradouramente um corte de facto no salário. É para isto que serve a maioria absoluta do PS?

O Governo resiste a agir sobre a formação dos preços, a atacar a especulação e a estabelecer limites sobre produtos fundamentais. Até quando vamos adiar esta urgência?

Nenhum acolhimento se faz apenas de gestos voluntariosos, de impulsos que podem ser tragicamente passageiros ou de redes informais sem escrutínio.

Além do sofrimento e da destruição que tem causado para quem está diretamente envolvido, a invasão da Ucrânia está a provocar muitas outras consequências perversas para lá do teatro de guerra.

A guerra que a Rússia provocou na Ucrânia tem certamente um contexto, mas bombardear um país como está a ser feito é absolutamente imperdoável e não tem qualquer justificação legítima nem qualquer fator atenuante, por mais pretextos que se invoquem.

No dia em que escrevo, milhares de pessoas saem à rua para celebrar o 8 de março. Não tenho dúvidas de que nas multidões feministas se farão ouvir as vozes contra a invasão e destruição da Ucrânia por decisão de Putin. O combate às violências tem sido parte central do feminismo.