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Zona euro prestes a sofrer a sua maior desvalorização salarial

BCE estima que o desemprego atinja sobretudo países com maior proporção de trabalho a prazo e por conta própria. Em Portugal são quase 1,6 milhões de trabalhadores. Desvalorização salarial poderá estender-se a 2021.
Portugal é o terceiro país da Europa com maior incidência de vínculos laborais precários.
Portugal é o terceiro país da Europa com maior incidência de vínculos laborais precários. Fotografia de Armando Babani/EPA/Lusa.

Segundo nova previsão do Banco Central Europeu (BCE), a zona euro deverá registar em 2020 a maior desvalorização salarial nominal per capita de que há registo, com um choque de desemprego que se prolongará pelo ano de 2021.  

Christine Lagarde avisa que o desemprego terá um maior impacto nos países com maior número de contratos a termo ou a prazo, demais vínculos precários e de trabalhadores por conta própria. Portugal é o terceiro país da Europa com maior incidência deste tipo de vínculos.

A notícia é dada pelo DN/Dinheiro Vivo, que analisou os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao primeiro trimestre de 2020: até março deste ano, cerca de 1,6 milhões de pessoas tinham um vínculo a prazo ou precário em Portugal. Este valor corresponde a um terço do total de trabalhadores. 

"Prevê-se que as taxas de desemprego continuem a apresentar diferenças substanciais entre os países da área do euro. No geral, espera-se que os países com uma alta proporção de trabalhadores temporários ou autónomos testemunhem um aumento nas taxas de desemprego e perdas de rendimento", alertou o BCE.

Como reação a esta previsão extremamente negativa, Christine Lagarde anunciou um reforço do programa de emergência pandémica para comprar dívida pública dos governos da área do euro, prolongando ainda a duração do programa por mais seis meses que o inicialmente previsto. O programa passará a ter um reforço de 600 mil milhões de euros, passando assim para um total de 1350 mil milhões de euros em compras de dívida pública e outros ativos.

Mas as previsões negativas do BCE não ficam por aqui. A maior contração salarial da história da zona euro levará a um recuo de 1,9% do salário nominal médio por trabalhador. Aliás, é necessário recuar até 1960 para encontrar uma maior desvalorização salarial nominal. 

“O BCE prevê uma redução de 2,8% no número de postos de trabalho. Ou seja, mesmo com o denominador a cair (o que contribuiria para um aumento do salário médio), a erosão salarial é tal que o salário médio desce em 2020”, explica o DN/Dinheiro Vivo. 

Nestas previsões não constam os cálculos por país, mas há um mês a Comissão Europeia projetada uma estagnação salarial medida através do ordenado médio em Portugal (0%). 

A intensidade do desemprego em 2020 atingirá cerca de 9,8% da população ativa e a degradação do mercado laboral continuará em 2021, estimando-se que a taxa de desemprego na zona euro ultrapasse os 10%. Já a Comissão Europeia prevê que o desemprego desça para 8,6% em 2021.

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