Zero exige estratégia de combate à pobreza energética

29 de maio 2023 - 21:28

No Dia Nacional da Energia, a associação ambientalista defende que uma estratégia de longo prazo deve ser a “prioridade nacional” face aos milhões de portugueses que vivem em situação de pobreza energética.

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Classificação energética
Imagem publicada no site da Zero.

A proposta da Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2022-2050 esteve em consulta pública até ao início de março pela segunda vez, após quase dois anos de “silêncio” por parte do Governo sobre esta matéria, “um atraso lamentável para um tema que é prioridade nacional”, afirma a associação ambientalista Zero, citada pela agência Lusa.

O documento estima que entre 660 e 680 mil pessoas vivam numa situação de pobreza energética severa, ou seja, integram “agregados familiares em situação de pobreza cuja despesa com energia representa mais de 10% do total de rendimentos”. A estes há que somar mais 1,1 a 2,3 milhões de pessoas em situação de “pobreza energética moderada”.

A associação critica algumas “fragilidades” nos processos dos apoios do Fundo Ambiental para o investimento das famílias em janelas eficientes, painéis solares, isolamento térmico, bombas de calor e outros equipamentos. Fragilidades quanto à comunicação, mas também no processo de candidatura, ligação ao mercado ou formação dos profissionais no terreno.

“A Zero considera estes apoios positivos e fundamentais para incentivar à renovação do edificado, mas alerta que os apoios disponíveis não chegam à população mais vulnerável”, apontam. Para contrariar essa deficiência, reclamam “formatos mais inovadores” e mais apoio técnico para a promoção da eficiência energética dos edifícios, tendo em conta que estes são responsáveis por 40% do consumo de energia na Europa.

A associação defende ainda que devemos caminhar para a eletrificação do edificado e que “o gás natural ou gás natural misturado com hidrogénio verde poderão ser opções viáveis apenas para um breve período de transição”, mas a longo prazo continuam a constituir problemas como  os das emissões de dióxido de carbono e fugas de metano inerentes à exploração, distribuição e queima de gás natural. Por essa razão, defendem que não deverão haver novos investimentos em infraestrutura para redes de gás.