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Zero denuncia exploração de gás de xisto em Aljubarrota

A associação ambientalista critica o governo, alerta que prazo de consulta termina nesta sexta-feira e exige avaliação de impacte ambiental.
A Zero indica para um conjunto de aspetos críticos do projeto, nomeadamente a falta de alternativas de localização da sondagem, o elevado consumo de água, a proximidade de áreas protegidas e o facto de a tecnologia ser gás de xisto
A Zero indica para um conjunto de aspetos críticos do projeto, nomeadamente a falta de alternativas de localização da sondagem, o elevado consumo de água, a proximidade de áreas protegidas e o facto de a tecnologia ser gás de xisto

Em comunicado, a associação ambiental Zero critica “a decisão de atribuir e manter concessões para a prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção onshore e offshore de hidrocarbonetos em Portugal”. A associação denuncia que esta decisão contraria a resolução anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, na COP22 em novembro de 2016, “de fazer evoluir a economia nacional para um modelo neutro em carbono até 2050”.

Segundo a Zero, o Estado português fez um contrato para a pesquisa e produção de hidrocarbonetos com a empresa Australis Oil & Gas Portugal em duas concessões onshore, denominadas “Batalha” e “Pombal” com uma área de cerca de 2.500 km2.

A empresa quer iniciar sondagens em 2019 na freguesia de Aljubarrota, concelho de Alcobaça, distrito de Leiria. A associação ambientalista considera que “o governo não pode atribuir o licenciamento ambiental” para a referida empresa iniciar esses trabalhos, “em defesa do interesse dos cidadãos e do país”. A Zero aponta também que a possibilidade de exploração de hidrocarbonetos nessa área, “ comprometeria irremediavelmente a imagem internacional de uma região de grande riqueza ambiental e ecológica caracterizada pelo turismo”.

A tecnologia usada para a sondagem é “gás de xisto” e é previsto que “o furo de prospeção será de 3200 metros na vertical e entre 300 e 700 metros na horizontal”

A associação considera que, “para além da opção energética, enquanto modelo de desenvolvimento”, as contrapartidas económicas não são “bom negócio”, pois são reduzidas e o capital investido será repatriado. Alerta ainda para os riscos para as populações, sublinhando que os riscos reais “suplantam amplamente” as hipotéticas vantagens.

A Zero indica ainda um conjunto de aspetos críticos do projeto, nomeadamente a falta de alternativas de localização da sondagem, o elevado consumo de água e a proximidade de áreas protegidas.

Segundo a associação, “um dos aspetos mais críticos prende-se com a análise de risco de acidente e respetivas consequências”, que deveriam ser realizadas previamente.

A Zero questiona também que a tecnologia utilizada para a sondagem possa ser apresentada como “método convencional”, “uma vez que se trata de gás de xisto” e, de acordo com o documento, “o furo de prospeção será de 3200 metros na vertical e entre 300 e 700 metros na horizontal”.

A associação ambiental alerta também para “a vulnerabilidade ao nível da hidrologia”, sublinhando que o próprio documento em consulta pública “aponta para uma elevada possibilidade de contaminação dos recursos hídricos superficiais”, assim como “eventual contaminação de solos e águas subterrâneas”.

A Zero quer que haja um processo formal de avaliação de impacte ambiental, respeitando o espírito da lei aprovada na Assembleia da República em 2 de junho de 2017 (Lei nº 37/2017).

Termos relacionados Petróleo em Portugal, Ambiente
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