Wikileaks divulga documento secreto do Acordo de Comércio de Serviços

19 de junho 2014 - 18:25

Dois anos após Julian Assange ter encontrado refúgio na embaixada do Equador em Londres, a Wikileaks revelou um documento que está a ser negociado em segredo pelos EUA, UE e dezenas de países para liberalizar ainda mais os serviços financeiros mundiais.

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Julian Assange está refugiado há dois anos na embaixada do Equador em Londres.

O Acordo de Comércio de Serviços (TISA) abrange mais de dois terços do comércio mundial e cerca de 50 países, deixando de fora a China, o Brasil, a India e a Rússia. O documento agora revelado tem data de abril e previa manter-se em segredo até cinco anos após o termo das negociações que ainda decorrem fora do âmbito da Organização Mundial do Comércio. A próxima ronda destas negociações terá lugar em Genebra na próxima semana.

"Apesar do fracasso da regulação financeira ter ficado evidente no decorrer da crise financeira de 2007-2008, e de terem sido feitos apelos à melhoria das estruturas de regulação, os promotores do TISA pretendem desregular ainda mais os mercados globais de serviços financeiros", denuncia a organização fundada por Julian Assange.

Para a Wikileaks, o anexo agora revelado "define as regras que irão reger a expansão das multinacionais financeiras - a maioria sedeada em Nova Iorque, Londres, Paris e Frankfurt - para outros países através da remoção das barreiras da regulação". Para além da desregulação que permitirá aos tubarões financeiros internacionais conquistar mercado noutros países sem os atuais obstáculos, outra das consequências das propostas presentes no anexo é a perda de capacidade de um país signatário de guardar no seu território os dados pessoais e das transações financeiras relativas às instituições que operam nesse país.