A voz de Frida Kahlo: gravação inédita é tida como o único registo sonoro da pintora

14 de junho 2019 - 21:51

Frida Kahlo era imagem. Tanto as que desenhou e pintou quanto as das suas próprias fotografias. Agora, pode também passar a ser voz. Foi descoberta e divulgada na passada quarta-feira uma gravação que os especialistas da Fonoteca Nacional do México afirmam ser da pintora mexicana.

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São 90 breves segundos de áudio. Uma voz feminina lê um texto de homenagem a um homem que se percebe ser pintor. Os especialistas da Fonoteca Nacional do México afirmam tratar-se de um fragmento de um texto escrito por Frida Kahlo para celebrar os 50 anos de carreira do muralista Diego Rivera, o seu marido. E acreditam mesmo tratar-se da voz da própria pintora.

O anúncio da descoberta daquela que seria a única gravação da voz de Frida Kahlo foi feito na passada quarta-feira pela secretária de Estado da Cultura mexicana, Alejandra Frausto. Esta gravação fazia parte da coleção de Álvaro Gálvez y Fuentes, conhecido como “El Bachiller”, um radialista famoso nos anos cinquenta no México.

A análise ao material sonoro é agora da responsabilidade da Fonoteca Nacional do México. Pavel Granados, o diretor desta instituição, é cauteloso, esclarecendo que a gravação “ainda está a ser estudada” mas acrescenta que a “conclusão próxima, sem dar 100% de certeza” é a de que poderia mesmo ser de Frida Kahlo.

“Com a sua cabeça asiática, na qual nasce um cabelo escuro, tão fino que parece flutuar no ar, é um menino grande, imenso, com um rosto gentil e um olhar triste” pode-se ouvir esta voz feminina dizer ler um texto num tom que condiz com as descrições conhecidas da pintora. Os peritos têm a certeza que não se trata de uma locutora profissional, porque se ouve a respiração e pelo cecear da voz. E o texto lido também se encaixa na teoria de que se trata da pintora falecida em 1954: trata-se de um fragmento de um texto recuperado mais tarde pela historiadora argentina Raquel Tibol, confirmado como da sua autoria.

Mais, o locutor confirma na gravação que se trata dela. E se é a primeira gravação conhecida, esta descoberta do espólio de 1300 gravações de El Bachiller levanta a possibilidade de se encontrarem mais. Cabe agora à Fonoteca Nacional do México o trabalho de continuar a procurar pela voz que o seu diretor diz que “sempre foi um enigma, uma busca sem fim”.